quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Regresso do Outono

Outono horto de Washington Maguetas

 Primeira chuva de Outono
Começou de manhãzinha.
Todos tínhamos saudade,
Nós, a relva e a avezinha.

O asfalto mudou de cor.
Rescende a terra molhada.
Vislumbrei entre os arbustos,
O melro e a sua amada.

Agora mesmo me encantam
Os pardais a saltitar,
Piando, alegres, gaiatos,
Na árvore junto ao meu lar.

O dia sempre cinzento,
De nuvens muito roliças,
Deu folga ao astro-rei
Nestas terras outoniças.

Depois da longa estiagem,
As folhas luzem enfim
E agitam-se, acastanhadas,
No prenúncio do seu fim.

Hoje, o ar já pesa menos,
Não me custa respirar.
Graças Vos dou, meu Senhor,
Pelo Outono regressar.

Maria da Fonseca


quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Lugares de Beleza



As vossas vidas tornai
Em lugares de beleza.
Todos os irmãos amai
E também a natureza.

Nossos jovens, sois agora
O futuro, o amanhã,
Construí-lo hora a hora
Com a vossa Fé Cristã.

Tudo foi Deus que nos deu
neste Universo sem fim.
Com nossos Pais sucedeu
E convosco será assim.

Ofertou-nos esta vida
Com seu infinito Amor,
Que seja sempre vivida
Inspirada no Senhor.

Que ninguém seja esquecido
Nem por nós nem nossos filhos,
Seja o caminho comprido,
Tenha ainda muitos trilhos.

O mundo será melhor
Se assim todos procedermos,
Haverá paz em redor
Para mais felizes sermos.

Maria da Fonseca

terça-feira, 5 de outubro de 2010

A Lenda de S. Vicente e dos Corvos



Reza a lenda que Vicente,
Feito mártir em Valência,
Suas relíquias levaram
Com devoção e prudência.

Seu destino, a nossa costa,
O cabo a que deu o nome,
Nesse Algarve muçulmano,
Até hoje de renome.

Assim nosso Rei primeiro,
Logo que foi sabedor,
Mandou vir rumo a Lisboa,
O corpo do Protector.

Em toda a viagem, contam,
'Steve o Santo acompanhado
Por negros corvos atentos,
Não saindo do seu lado.

E quando a barca ancorou,
Uma procissão 'sperava
Levando então S. Vicente
Para a Sé que o aguardava.

O filho de Henrique, Afonso,
Tomou-o como Patrono,
A quem dedicou Lisboa
Onde dorme eterno sono.

No distinto brasão de armas
Desta tão leal cidade
Vêm-se os corvos e a barca,
Símbolo de Cristandade.

Esta a lenda curiosa
Pra todo o sempre presente
Na nossa amada Lisboa.
- Os corvos e S. Vicente -

Maria da Fonseca


segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Este Nosso Soneto


Amanheceu cinzento, enevoado,
O sábado que auguro promissor.
Nossos beijos trocados com amor,
Enquanto tão feliz sou a teu lado.


Dispenso que o Sol nasça apaixonado
E no jardim sorria a bela flor,
Se sinto junto a mim o teu calor,
Sede de um coração enamorado.


E quando o Sol abrir e a flor beijar,
Segundo reza a tradição do dia,
Esperança de um céu a azular,


Sairemos os dois em harmonia
Nosso vívido amor a celebrar
E a Deus agradecer com alegria.

Maria da Fonseca

domingo, 3 de outubro de 2010

A Chuva Benfazeja


Chuva linda, abençoada,
A regar o meu jardim.
A passarada recolhe
Enquanto ela cai assim.


O calor já nós passámos
Dum Verão quase sem fim.
Mas o Outono chegou,
Tão ansiado por mim.


Certa, oblíqua, pressurosa,
A entranhar-se na terra,
A vicejar o que é verde,
Logo que o céu se descerra.


E as aves também lhe querem,
Água doce pra beber,
Que vai brilhar empoçada,
Quando deixar de chover.
 
 
Onde não chove faz falta.
Senhor Deus, tem piedade!
Manda a chuva benfazeja,
Mas afasta a tempestade.

Maria da Fonseca

sábado, 2 de outubro de 2010

Minha Contrição


Fosse a saudade alento
Minha alma não sofreria,
Mas tristeza, desalento,
Como me suavizaria?

O tempo passou ligeiro
Longe fica o meu passado,
Ano após ano, parceiro
Cada vez mais apressado.

Tanto resta por contar,
Nem sei se até já foi dito,
Minha memória a enganar,
Perdoem se me repito.

A saudade vai crescendo,
Meu coração a pesar,
O que sei, abrandecendo,
E a dizê-lo devagar.

Recordar o bem que fiz
Dar-me-à algum consolo,
Mas não foi tudo o que quis,
Senhor Deus, que desconsolo...

Maria da Fonseca

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Cabo da Roca


http://www.math.ist.utl.pt/AMIF2002/conf_photos.html

As ondas batem fortes nos rochedos
Do promontório mais a Ocidente.
- Oceano, conta-me os teus segredos,
O que além vês do nosso Continente?

A luz do Sol, coada pela neblina,
Transforma ainda a cor do mar profundo,
Do vivo azul em verde esmeraldina.
Obra-prima do Criador do Mundo!

Está o céu de nuvens enfeitado.
As dunas, áridas e movediças,
São as manchas douradas da paisagem.

Como outrora, Atlântico exaltado,
Também nossa geração enfeitiças
Com tua ousada e esplêndida mensagem!

Maria da Fonseca