quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Ilhas Açorianas

foto de Luiza Melo


‘Stamos no meio do mar
Na rota da Graciosa,
Entre S. Jorge e o Pico.
Mas que visão espantosa!


Em lugar das fortes vagas
Do mau tempo do Canal,
‘Stá o Atlântico tranquilo
Cercando o Grupo Central.


Da imensidade surgidas,
As Ilhas são deslumbrantes.
As nuvens cobrem seus Picos,
Que se mostram por instantes.


Brilha o Sol no Oceano,
Em redor tudo ilumina.
Seguimos muito agradados,
A beleza nos domina.


Nosso barco fende a água
Que gorgoleja estouvada.
Gostoso é poder sentir
O sal na face crestada.


Sem nunca se misturarem
O céu e o mar ali estão.
Mas pra nós é tudo azul,
Dia lindo de Verão!

Maria da Fonseca

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Agosto em Lisboa



Andamos como formigas
A acarretar para casa,
Enquanto a cigarra canta
Devido ao calor que a abrasa.


Querem todos ir de férias
E fugir desta cidade.
Vejo os pombos sequiosos.
Apesar da liberdade,


Procuram as poças de água
Da rega do meu jardim,
Para matarem a sede,
Mesmo aqui ao pé de mim.


À medida que avança,
A tarde quente emudece.
Já não se escuta a cigarra
Nem qualquer ave aparece.


‘Stamos na hora da sesta
Que a todos no V’rão convida
A remansear um pouco
Nesta Lisboa florida.


Eu sempre te quero muito
Em todas as estações,
Para mim bem definidas,
Cheias de recordações.


Mais nossa, mais acessível,
Temos agora a cidade.
Lindo o Agosto em Lisboa.
Longe de ti, só saudade!

Maria da Fonseca


sexta-feira, 5 de agosto de 2011

A Magia do Algarve



Ó linda Praia da Rocha,
Quando chego é uma alegria,
Minha alma desabrocha,
Em tudo encontro magia.


Quero matar a saudade
Do teu mar maravilhoso,
Da fina areia, deidade,
Teu encanto generoso.


A luz do Sol a pintar
A beleza da paisagem
E as gaivotas a animar
Com seus sons, sua passagem.


Rastos de brancas escumas
Dos barcos a deslizar
Riscam a água de plumas
A alindar o azul do mar.


Ó praia linda, formosa,
Transmites tranquilidade,
Manhã de V'rão preguiçosa.
Regressarei co'a saudade!

Maria da Fonseca


quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Encantamento




                                                 
 Ao calmo abrir da janela,
A vista surpreendente
Enfeitiça o meu olhar,
Na tarde serena e quente.


A banhar a costa de ouro,
‘Stá o mar imenso e azul,
E a linha do horizonte
Perfeita, virada ao Sul.


Junta-se além o Arade,
Entre dois faróis atentos.
O céu limpo e transparente
Espantou todos os ventos.


Cheias de encanto as gaivotas
Passam tão perto de mim,
Como crianças brincando
À roda do seu jardim.


Agora é uma que grita,
Voa rápida, zangada.
Porém, mantém-se a harmonia,
Eu não me sinto lesada.


Descrever, eu não consigo,
Esta deslumbrante vista,
O que vejo, o que sinto.
Quem dera que fosse artista!


Mas dou-vos graças, Senhor,
Por ter olhos para ver
E um coração para amar
O Teu Divino Poder.

Maria da Fonseca

terça-feira, 26 de julho de 2011

Meu Mar


 
Procuro a inspiração
Para te cantar, meu mar.
Olho-te com afeição,
Anseio não te deixar.


És de um azul precioso,
Nem uma nuvem no céu.
Um veleiro valoroso
Passa ao largo do ilhéu.


Elegante a deslizar
Leva as velas enfunadas.
Soberbo, feliz no mar,
Fende as ondas prateadas.


Em curvas suaves planam
As gaivotas sem esforço,
Também contigo se irmanam
Vogando sobre o teu dorso.


E na arriba, além
'Stão os seus ninhos pousados,
Cada pai e cada mãe
Com seus filhos vigiados.


Quero reter esta imagem,
Ó meu mar, ó meu encanto,
Recordar a paisagem
Que inspirou este canto.

Maria da Fonseca

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Cerejas da Gardunha



A rolar entre pomares
Na quente Cova da Beira
Estávamos curiosos
Para ver a Cerejeira.


Encontrámo-la feliz,
Carregada de cerejas,
As folhas verdes dos ramos
Resguardando-as, benfazejas.


De seus pezinhos suspensas
Eram uma tentação,
Vermelhas e madurinhas,
Milagre da Criação!


Não pudemos resistir
A colhê-las, que pecado,
Do ramo encantador
Sobre o muro debruçado.


Lindas e doces cerejas
Saboreámos, meu Deus!
Logo pensámos trazê-las,
Mas nossas não eram, céus!


Presto saímos dali,
O Sol a pino escaldava,
E o impulso de as roubar
Mais ainda nos queimava.


E se as quisemos trazer
Tivemos que as comprar,
As cerejas da Gardunha
Gostosas ao regressar!

Maria da Fonseca



domingo, 10 de julho de 2011

O Mesmo Sorriso



Um sábado dos nossos finalmente
Em que existes apenas para mim!
Olhamos os lilases docemente,
Os que, mais belo, tornam o jardim.


Meu coração 'inda vibra fremente
Como no tempo em que, de carmesim
Meu rosto se cobria, de repente,
Turbado por me sorrires assim.


Andávamos felizes de mão dada
A ver o que of'recia a natureza.
Hoje ando em teu braço apoiada,


A admirar das flores, sua beleza,
Sentindo ainda a alma bem amada,
Quando o sorrir me ofertas com presteza.

Maria da Fonseca