terça-feira, 8 de novembro de 2011

Apelo ao Senhor




Meu coração dolorido
Pelas passagens da vida,
O dia descolorido,
A chuva já prometida.

Sinto-me ausente, ferida,
O clima por companheiro.
Minha lágrima caída,
Esconde-a o nevoeiro.

E já começa a chover
E a molhar a minha face.
Posso o choro não reter
  Nesta hora de impasse...

Momentos de espera e reza,
Os que vivo a seguir.
Apelo pra quem me preza,
Ó meu Deus, vou reagir.

Partir pra aí sem demora
Como o coração deseja?!
Poder alcançar na hora
A solução benfazeja?!

Minha alma sente demais
Como mãe e como avó!
Meu Senhor, protege-os mais,
Dos que sofrem, tende dó!

Maria da Fonseca


domingo, 6 de novembro de 2011

Convite à Oração




Se tu sentes, minha Amiga,
Que te conforta rezar,
Ergue ao Senhor a tua alma
E não cesses de O louvar.



Se sentes profundo anseio
Partilhar o teu sofrer,
Exprime-o em oração
Nisso empenha todo o ser.



Se sentes que a tua vida
Renasce com devoção,
Ao longo de todo o dia
Deixa orar teu coração.



E logo que em Deus pensares
Te sentirás mais feliz.
Dá-lhe pois todas as graças
P´lo bem que sempre te quis!

Maria da Fonseca

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Dia da Saudade




Já partiram tantos dos que eu amava,
Perde-se esta memória a contá-los.
Pais, Mestres, Amigos, mencioná-los
É tributo que minha alma agrava.



Neste Dia à Saudade devotado,
As lindas flores murcham de tristeza
Ao serem colocadas de surpresa
Junto dos túmulos do meu passado.



Ao recordar piedosa os momentos
Vividos em tão grata companhia
Partilhando ideias, comportamentos,
Amizades, desígnios e alegria,



Só me conforta e dá novos alentos
Nos reencontrarmos num divino Dia!

Maria da Fonseca



domingo, 30 de outubro de 2011

Terreiro do Paço (Lisboa)




Farrapinhos de algodão,
Sob um céu azul sem mancha.
Tarde suave de Outono,
No Tejo segue uma lancha...


Antigo Cais das Colunas,
Dos meus tempos de criança,
Junto a ti muito brinquei.
Como eu guardo na lembrança!


Um menino, eu recordo,
De seis anos, pouco mais,
Fugiu pra atracar o barco,
Prendendo a corda no cais.


A minha memória é fraca.
Grande é a minha saudade,
Do teu natural encanto,
"Ex-libris" desta cidade.


Ao domingo eras tão calmo.
Respirávamos a brisa,
Vinda do lado do rio.
Enleio de poetisa...


Ó meu Terreiro do Paço,
Praça linda de rever.
A imagem do teu passado,
Já me custa a descrever.


Agora és mais citadino,
Com as gentes a passar.
Não afastes as gaivotas,
Que vivem pra te enfeitar!

Maria da Fonseca



domingo, 23 de outubro de 2011

Redondilha Maior

foto de Adelina Palma

Se é redondilha maior?!
Eu não quero nem saber,
E se ainda for pecado
Não me vou arrepender.


Outra forma não vislumbro
Pra expressar meu pensamento,
Soletro, conto e reconto
E não acerto outro intento.


Assim me falta a coragem
Pra ensaiar nova cruzada,
Vivo a sonhar com sonetos
Com a rima burilada!


Para escrever o que sinto
Mais formas quisera usar.
Mas se me falta essa arte
Como é que a vou encontrar?


Estas minhas redondilhas
Nascem do meu coração,
Como lágrimas brotando
Ao raiar da emoção!

Maria da Fonseca

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Cantiga, Partindo-se de João Roiz de Castel-Branco




Cancioneiro geral de Garcia de Resende
(Sec. XV)

CANTIGA, PARTINDO-SE


Senhora, partem tão tristes
Meus olhos por vós, meu bem,
Que nunca tão tristes vistes
Outros nenhuns por ninguém.


Tão tristes, tão saudosos,
Tão doentes da partida,
Tão cansados, tão chorosos,
Da morte mais desejosos
Cem mil vezes que da vida;



Partem tão tristes os tristes,
Tão fora de esperar bem,
Que nunca tão tristes vistes
Outros nenhuns por ninguém.

João Roiz de Castel-Branco







terça-feira, 18 de outubro de 2011

O Pessegueiro



Tão linda a árvore, Amiga,
Que Deus ali fez brotar
Para que, quando eu passasse,
Pra ela pudesse olhar.


O Outono está magnífico.
E o pessegueiro que eu amo,
Nem calculas como o vi,
Um feitiço em cada ramo.


Desde o castanho ao vermelho,
Suas folhas matizadas
Guarnecem a bela copa,
Pelo Sol, iluminadas.


Caídas há pouco tempo,
Algumas brilham no chão.
E seus frutos de veludo
Sempre alguém encantarão.


Nada se move, acredita,
Nesta manhã deslumbrante.
A límpida transparência
Brinda todo o cambiante.


Foi num dia como este
Que o Deus Menino chegou.
Devota, a mãe Natureza
Pra O receber se enfeitou.

Maria da Fonseca