quinta-feira, 19 de abril de 2012

Mar ao Sul


foto de J. Bastos Baptista

 
Ao assomar à janela,
Rever-te é o que mais desejo.
Fixar-te em minha memória,
Pra te cantar ter ensejo.

Mar ao sul que me enfeitiças
Imenso, azul, palpitante,
Quero guardar tua imagem,
Sempre bela, fascinante.

Ao te admirar eu descubro
Lindas velas a vogar.
São gentes nossas felizes
De em teu dorso cavalgar.

Em seguida logo inflectem,
Vão pela foz do Arade
Arreadas, rio acima,
Com muita vivacidade.

Já o horizonte rosado
Perde a cor, fica lilás,
Assim se despede a tarde,
Guardo quanto tu me dás.

Maria da Fonseca


terça-feira, 10 de abril de 2012

Concerto da Primavera




Árvore dos Pássaros de Edna de Araraquara



Cantais assim vosso amor,
É a lei da Natureza.
Mas cantais também assim
O meu amor, que beleza!


Vivamos em sintonia
Na mágica Primavera!
Belo concerto de pios
À janela nos espera.


Aves das mais variadas,
No meu jardim, habitais!
Nomear-vos gostaria.
Os chegados são pardais.


Dos que cantam belas árias,
Distingo o melro brilhante,
O pintassilgo aprendiz
E a toutinegra elegante.


Os pombos arrulham baixo,
Enquanto alegres trinados
No evento sobressaem,
Corações apaixonados!


‘Stou feliz por vos ouvir
Neste precioso dia.
Nosso Senhor a ofertar
Santa Paz, doce harmonia!

Maria da Fonseca

terça-feira, 3 de abril de 2012

Aos Amigos Poetas



Pela Páscoa do Senhor,
Aos Amigos desejar
Saúde, Paz e Amor,
Todo o carinho ofertar.

Raios da divina Luz
A exalar inspiração.
Sagrado o Nosso Jesus
Nos conceda a Salvação.

Sempre unidos nós seremos
P’lo resplendor da Poesia.
Generosos viveremos
Irradiando harmonia.

E no Universo impere
A paz de Nosso Senhor.
Anular tudo o que fere.
Receber perdão e amor.

Maria da Fonseca




segunda-feira, 2 de abril de 2012

Na Defesa da Tese*


Universidade de Évora

Linda a rosa vermelha
Ofertada no final,
Julgado o meu saber
Com apreço especial.


E caiu singela pétala
Quando na rosa peguei,
Era macia e sedosa
Desde logo me encantei.


Não lhe faltaram espinhos
Como cada rosa tem.
Para obter o meu grau,
Espinhos tive também!


Celebrou insigne feito
Que jamais esquecerei,
E por isso não murchou,
A rosa que acarinhei.


Preferiu não se vergar,
Suas pétalas unidas
À haste, que não cedeu,
'Stão secas, escurecidas.


E permanece assim firme 
Em atitude evidente,
A linda rosa vermelha
Que me deram de presente!

Maria da Fonseca


*poema dedicado a minha filha Luiza Margarida que se doutorou na Universidade de Évora no dia 15 de Março de 2012




quarta-feira, 28 de março de 2012

Louvor à Primavera




Não sou só eu que me alegro
Co’o chegar da Primavera,
Deixar partir o rigor
Do Inverno que desespera.


Por todo o lado as florzinhas
De várias ‘spécies e cores
Se erguem lindas, perfumadas,
E as aves cantam louvores.


A alegre brisa nervosa
Agita as folhas recentes
Já a enfeitarem os ramos
Plenos de luz e contentes.


A tarde a cair rosada
Anuncia o amanhã,
Ainda mais belo que o hoje
Logo ao nascer da manhã.


A Natureza pujante
Se exalta em cada ser vivo,
Não é só a mim que agrada
O seu aspecto festivo.

  
Todos nós agradecemos
O Sol cortar o Equador
Neste manso mês de Março,
Graças Vos dou, Meu Senhor.

Maria da Fonseca

domingo, 25 de março de 2012

Autopsicografia de Fernando Pessoa


Fernando Pessoa
(1888-1935)



AUTOPSICOGRAFIA


O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.


E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.


E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama o coração.

Fernando Pessoa

terça-feira, 20 de março de 2012

Reviver a Primavera




Ainda a sebe não tem rosas,
Já está o abrunheiro em flor.
O melro corre na relva,
A perseguir seu amor.

É mais uma Primavera
Que chega pra me encantar.
Eu, que poeta não sou,
Tento também versejar.

Também sinto, também vibro
Co’o movimento do Sol
Ou da Terra, na verdade,
E ao cantar do rouxinol.

 
Este azul do céu me assombra
Em qualquer hora do dia,
Enquanto o verde viceja
E meus olhos extasia.

A luz me alegra, e ilumina
O meu jardim a florir,
Enquanto aragem suave
As folhas põe a bulir.

A rezar ao Criador
Vivo eterna a agradecer,
Grata p’la missão divina
Que entregou a cada ser. 

Maria da Fonseca