segunda-feira, 17 de setembro de 2012

No 6º Aniversário da AVSPE

 
 
 
 
 
A primavera esperais,
Vosso inverno a terminar!
A alegria dos demais
Por verem o Sol brilhar!

Os poetas inspirados
Louvam a mãe natureza
E os pintores conquistados
Em tudo vêm beleza.

'Stão a aguardar os jardins
O florir de lindas flores,
Sejam rosas ou jasmins,
Perfumadas, belas cores.

A Academia progride
Nessa época de encanto,
A Fundadora preside
Com sucesso e acalanto.

Há seis anos foi criada
Com amor, dedicação,
Bela obra destinada
A celsa divulgação.

A Poesia - arte maior,
Como Efigênia a apresenta,
Luta pr'um mundo melhor
Sem martírio e sem tormenta.

Meus Parabéns vão daqui,
De tão longe, Portugal,
Mas depressa estão aí
Com abraço especial!

Apesar de irem no v'rão,
Tempo de fruta e calor,
Primaveras levarão
Neste presente de amor.

Belas flores coloridas
Em buquê lindo e armado
Para a AVSPE escolhidas
Com afeto devotado!
 
Maria da Fonseca


quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Folhas de Agosto

 
 
 
 
As árvores bem frondosas
Num domingo de calor,
Em que as folhas luminosas
Encantam com seu fulgor!

E conforme sopra a brisa
Há reflexos variados.
É ideia da poetisa
Sejam muito apreciados.

Jogam depressa as clarinhas
Por mais novas elas serem,
No topo de hástias fininhas
Cedem para se manterem.

As mais escuras e densas
Agitam-se em ramos fortes
De árvores cujas presenças
Sofrem boleados cortes.

Vemos ainda outras folhas
Em parte avermelhadas,
Sinais de várias escolhas
De ameixieiras frutadas.

E em céu azul se projetam
As árvores com seus ramos,
Em arabescos completam
A Natureza que amamos.
 
Maria da Fonseca
 
 
 


domingo, 2 de setembro de 2012

Ao Luar de Agosto

 
 


Ainda o céu estava claro
Já brilhava a lua cheia,
A surgir detrás do prédio,
Grande, rotunda, amei-a!
 
  
A seguir foi-se elevando
Enquanto o céu 'scurecia,
Eu quieta a admirava,
O balão me confundia.

Agora, mais tarde é,
Ela branca, enluarada,
Suspensa do negro céu,
Lumina a folha pousada.

Assim eu dispenso a luz
Enquanto o poema escrevo.
Recordo o dia afastado
Que foi todo o meu enlevo.

Os astronautas pisaram
  O seu solo planetário.
Belo feito realizado,
Hábil, extraordinário!

Ó lua cheia de Agosto,
Inspiração e magia,
Perdurará para sempre
Como musa da poesia!
 
Maria da Fonseca

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

As Pedras da Lua de M. João Baptista Costa

 
 




Um homem contempla o céu.
E detém o seu olhar na lua
Que inunda
com um véu de nostalgia.
Já lá esteve.
No pico do universo, no pico da juventude…
Desses momentos
Restam-lhe apenas
uma tonelada de memória recorrentes
E um montinho de pedras.
 
 
Um dia não estará cá
e pergunta-se
A quem deixará as suas pedras.
Já viu que não são apreciadas por gente feliz.
Essa gente olha para as pedras,
Sente-lhes o peso e ri-se,
Dizem que ele as apanhou
No chão atulhado do seu quintal…
 
 
Ainda não sabem que, ao fim e ao cabo, no fim do dia,
cada um de nós tem que lidar com um de dois factos.
Não termos realizado os nossos sonhos…
Ou termos conseguido, sim,
e a vitória se esvair escorrendo, na nossa memória.
Porque nos lembramos sempre mais do que sonhámos,
Pois são tantos dias, tantas noites,
tantos brancos momentos
em que o sonho é o nosso amigo, o nosso amante…
E a realidade feliz é, em si mesma, volátil,
acontece e devora-se num instante…
 
 
Assim, o astronauta continua a guardar as suas pedras.
Um tesouro de não se sabe bem o quê
para alguém que careça de esperança
ou que, pura e simplesmente, já tenha compreendido tudo.
Ou, quanto mais não seja,
Para si mesmo.
Porque já é tudo tão remoto …
Diluídos pelo tempo e pela distância
Os sonhos e as certezas …
Ao menos que não haja nuvens
E o céu fique sempre claro, por favor…
 
Maria João Baptista Costa


domingo, 26 de agosto de 2012

Tarde de Verão

 
 



Tarde quente de verão!
Sopra do mar uma brisa,
Que anima tudo em redor,
E o forte calor suaviza.

Das arribas, cheias de urze,
Vê-se o areal dourado.
As ondas são tentação
Do poeta deslumbrado.

 
A mancha do mar azul
Inunda a vista de cor.
Os barcos a deslizar
Em fina mão de pintor.

 
Sob a limpidez do céu,
E num rasgo de harmonia,
Gaivotas, em revoada,
Gritam com muita alegria.

 
Maravilha é vê-las alto,
Graciosas a bailar.
Fazem parte da paisagem,
Sempre viva a palpitar.

 
Há que reter na memória
Tão grandiosa visão.
E guardar na nossa alma
Seu encanto de verão!
 
Maria da Fonseca



sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Da minha Janela


Foto de J. Bastos Baptista



Quero cantar-vos agora
Enquanto vos 'stou a ver
Da janela do meu quarto.
Lindas flores a crescer,

Em fartos cachos lilases
A abanar co'a brisa leve,
Ornadas de verdes folhas
Mostrando harmonia breve.

O Sol que vos ilumina
Foi o que vos fez florir,
E, muito quente no v'rão,
Ides murchar a seguir.

Enquanto vos manteis belas
As borboletas voejam,
Visitam-vos os zangãos,
Negros melros vos cortejam.

Depois o vento virá
E as pétalas cairão.
Só prò ano haverá flores
Quando voltar a ser v'rão!

Maria da Fonseca


quinta-feira, 26 de julho de 2012

No Dia dos Avós




Nunca tive meus Avós.
Quando os meus olhos abri,
Meu Pai já perdera os Pais
E os da minha Mãe não vi.

Noutra terra, noutro povo,
Viviam longe de nós.
Se tenho recordações
Não são decerto de Avós.

Mais tarde, p'la vida fora
Meus Pais pouco me contavam.
Sua saudade era tanta,
Do passado não falavam.

O tempo assim foi andando...
Mais velho, meu Pai lembrava
Algumas cenas da infância
Dos Pais e Irmãos que amava.

A minha Mãe mais calada,
Tão sofrida, mais saudosa,
Também às Netas não disse
Da sua vida penosa.

Somos agora os Avós
Destes Netos muito amados,
Felizes co'as alegrias,
A ajudar, se embaraçados.

E neste Dia que é nosso
P'la ventura de vos ter,
Pedimos a Senhor Deus
Bênçãos pra vos proteger.

Maria da Fonseca