domingo, 16 de junho de 2013

Hino Nacional

 
 




Alfredo Keil : A Portuguesa (hino nacional português)

Música: Alfredo Keil
Letra: Henrique Lopes de Mendonça
Mário Rui Simões Rodrigues

 Heróis do mar, nobre povo,
Nação valente, imortal,
Levantai hoje de novo
O esplendor de Portugal!
Entre as brumas da memória,
Ó Pátria sente-se a voz
Dos teus egrégios avós,
Que há-de guiar-te à vitória!


Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!



Desfralda a invicta Bandeira,
À luz viva do teu céu!
Brade a Europa à terra inteira:
Portugal não pereceu
Beija o solo teu jucundo
O Oceano, a rugir d'amor,
E teu braço vencedor
Deu mundos novos ao Mundo!


Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!
 

Saudai o Sol que desponta
Sobre um ridente porvir;
Seja o eco de uma afronta
O sinal do ressurgir.
Raios dessa aurora forte
São como beijos de mãe,
Que nos guardam, nos sustêm,
Contra as injúrias da sorte.


Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!



terça-feira, 11 de junho de 2013

Festas de Santo António

 


'Stá a chegar o Santo António,
Dia de festa, alegria,
Na cidade de Lisboa.
Dai largas à fantasia!
 
 
Há os noivos pra casar
Na nossa Sé deslumbrante.
Copos de água a aquecer
Cada coração vibrante!
 
 
As ruas engalanadas
Com festões bem coloridos
Alegram já os turistas
Risonhos e divertidos.
 
 
O baile festeja as noites
Antes do dia abeirar,
Come-se a sardinha assada
Com o tinto a acompanhar.

 
Terá cortejo a Avenida
Com música e cantoria,
Nossas marchas populares
Desfilam com galhardia.

 
Representam nossos bairros
Símbolos e suas trovas,
Arcos e balões em festa
Em ofertas sempre novas.

 
Santo António nunca falta
Em alindado altar
E o manjerico lá 'stá
Com seu cravo a enfeitar.

 
As meninas casadoiras
A girar saias rodadas,
Rapazes a saltitar
Calças pretas ajustadas.

 
Vários focos a alternar
Numa Avenida vistosa.
E o ritmo em sintonia
Torna cada marcha airosa.

 
Uma delas ganhará
O primeiro prémio ali.
Desfilará a contento
Muito senhora de si.
 
 
'Stá a chegar o Santo António,
Dia de festa, alegria,
Na cidade de Lisboa.
Dai largas à fantasia!
 
Maria da Fonseca

 

sábado, 1 de junho de 2013

No Dia da Criança - 2013

 
 




Feliz Dia da Criança,
Eu vos venho desejar,
Contudo a desesperança
Embaça, dos Pais, o olhar.
 
A alegria natural
De querer ter mais presentes
Esbate-se em Portugal
Para os nossos inocentes.
 
Os seus Pais apoquentados
Desde o nascer da manhã.
Alguns já desempregados,
Todos temem o amanhã.
 
Seja dita a verdade,
Temos que ter confiança,
Lutar em qualquer idade
P'lo futuro da Criança.
 
Muito breve ela será
O símbolo do País,
A gente que vencerá
A prezar sua raiz.
 
Feliz Dia da Criança!
'Stamos prontos a ajudar,
Não nos falte a esperança
De a crise superar.
 
Maria da Fonseca



quinta-feira, 30 de maio de 2013

O Passeio de Santo António de Augusto Gil (1873 -1929)

 
 
 



Saíra Santo António do convento,
A dar o seu passeio costumado
E a decorar, num tom rezado e lento,
Um cândido sermão sobre o pecado.

Andando, andando sempre, repetia
O divino sermão piedoso e brando,
E nem notou que a tarde esmorecia,
Que vinha a noite plácida baixando…

E andando, andando, viu-se num outeiro,
Com árvores e casas espalhadas,
Que ficava distante do mosteiro
Uma légua das fartas, das puxadas.

Surpreendido por se ver tão longe,
E fraco por haver andado tanto,
Sentou-se a descansar o bom do monge,
Com a resignação de quem é santo…

O luar, um luar claríssimo nasceu.
Num raio dessa linda claridade,
O Menino Jesus baixou do céu,
Pôs-se a brincar com o capuz do frade.

Perto, uma bica de água murmurante
Juntava o seu murmúrio ao dos pinhais.
Os rouxinóis ouviam-se distante.
O luar, mais alto, iluminava mais.

De braço dado, para a fonte, vinha
Um par de noivos todo satisfeito.
Ela trazia ao ombro a cantarinha,
Ele trazia… o coração no peito.

Sem suspeitarem de que alguém os visse,
Trocaram beijos ao luar tranquilo.
O Menino, porém, ouviu e disse:
- Ó Frei António, o que foi aquilo?…

O Santo, erguendo a manga de burel
Para tapar o noivo e a namorada,
Mentiu numa voz doce como o mel:
- Não sei o que fosse. Eu cá não ouvi nada…

Uma risada límpida, sonora,
Vibrou em notas de oiro no caminho.
- Ouviste, Frei António? Ouviste agora?
- Ouvi, Senhor, ouvi. É um passarinho.

 
- Tu não estás com a cabeça boa…
Um passarinho a cantar assim!…
E o pobre Santo António de Lisboa
Calou-se embaraçado, mas por fim,

Corado como as vestes dos cardeais,
Achou esta saída redentora:
- Se o Menino Jesus pergunta mais,
…Queixo-me à sua mãe, Nossa Senhora!

Voltando-lhe a carinha contra a luz
E contra aquele amor sem casamento,
Pegou-lhe ao colo e acrescentou: - Jesus,
São horas…
E abalaram pró convento.
 
Augusto Gil

sábado, 25 de maio de 2013

Ora Chove, Ora Faz Sol

 
 


Ora chove, ora faz Sol
Nesta primavera fria,
Nem escuto o rouxinol
E esqueço que sou Maria.
 
Do Minho até aos Algarves,
Um aguaceiro fustiga
As folhas novas das arves.
Não trato a chuva de amiga.
 
O céu está bem forrado
De espessas nuvens cinzentas,
Mas breve 'stará azulado
Ao se afastarem atentas.
 
Rama molhada, brilhante,
Joga ao sabor da nortada,
O Sol a impor cambiante,
Eu quedo-me enfeitiçada...
 
E logo volta a chover,
O vento norte não cede,
Vejo as flores a sofrer,
Meu poema não sucede.
 
O inverno foi embora
E não me deixou saudade.
Mas em Maio, mesmo agora,
Pouco mudou na verdade.
 
Ora chove, ora faz Sol
Nesta primavera fria.
Cante pronto o rouxinol
Pra lembrar que sou Maria.
 
Maria da Fonseca


segunda-feira, 13 de maio de 2013

Flor de Laranjeira

 
 





A alegrar a primavera
Nasceu mais uma florinha,
Ontem ainda em botão,
Já prometes a frutinha!
 
 
De manhã logo te vi
Minha flor de laranjeira,
Miniatura que me encanta
Entre irmãs és a primeira.

 
Branca, pura, perfumada,
Será breve o teu viver,
As pétalas a cair
Logo o fruto a aparecer.

 
Outros botões a espreitar,
A prever mais floração
Junto aos macios citrinos,
Milagre da Criação.
 
 
Também há as folhas novas
Crescendo rapidamente,
São de um verde mais aberto
A rematar livremente.
 
 
E a laranjeira-mirim
Se prepara, preciosa
Jóia que Deus ofertou
Com seu Amor, radiosa.
 
Maria da Fonseca



domingo, 12 de maio de 2013

Fátima

 
 
 
 

Minha Senhora de Fátima,
Mãe do Nosso Redentor,
Cova da Iria está plena
De Fé, Esperança e Amor.

 
Na noite fria de Maio
Velas brilham aos milhares.
Tantos corações em brasa,
A devoção enche os ares.

 
São teus filhos devotados,
A quem tratas como Mãe,
Desvelada e generosa.
Tu não faltas a ninguém!

 
A pé chegam peregrinos,
Suas promessas cumprindo.
As graças lhes concedeste,
As preces suas ouvindo.

 
Rezam, cantam e agradecem
Em várias línguas, Senhora,
E ouve-se numa só voz
O que Te pedem agora.
 
 
Que os protegeis e guiais
Nos caminhos desta vida.
Salvé Rainha da Paz,
Nossa Fé seja vivida!
 
Maria da Fonseca