terça-feira, 18 de junho de 2013

Trovas de São João

 
 




Na noite de S. João
A minha terra querida
Salta prà rua a brincar,
‘Squece as agruras da vida.
 
Desce do trono e vem já
S. João, meu grande Amigo,
Larga a tua ovelhinha
E vem prà festa comigo.
 
Na noite de S. João
Toda a gente anda a brincar
Bate bate martelinho
Mas sempre sem magoar.
 
A seguir ao Santo António
Vem o nosso S. João.
Muita alegria na praça
E em cada coração.
 
Maria da Fonseca



domingo, 16 de junho de 2013

Hino Nacional

 
 




Alfredo Keil : A Portuguesa (hino nacional português)

Música: Alfredo Keil
Letra: Henrique Lopes de Mendonça
Mário Rui Simões Rodrigues

 Heróis do mar, nobre povo,
Nação valente, imortal,
Levantai hoje de novo
O esplendor de Portugal!
Entre as brumas da memória,
Ó Pátria sente-se a voz
Dos teus egrégios avós,
Que há-de guiar-te à vitória!


Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!



Desfralda a invicta Bandeira,
À luz viva do teu céu!
Brade a Europa à terra inteira:
Portugal não pereceu
Beija o solo teu jucundo
O Oceano, a rugir d'amor,
E teu braço vencedor
Deu mundos novos ao Mundo!


Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!
 

Saudai o Sol que desponta
Sobre um ridente porvir;
Seja o eco de uma afronta
O sinal do ressurgir.
Raios dessa aurora forte
São como beijos de mãe,
Que nos guardam, nos sustêm,
Contra as injúrias da sorte.


Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!



terça-feira, 11 de junho de 2013

Festas de Santo António

 


'Stá a chegar o Santo António,
Dia de festa, alegria,
Na cidade de Lisboa.
Dai largas à fantasia!
 
 
Há os noivos pra casar
Na nossa Sé deslumbrante.
Copos de água a aquecer
Cada coração vibrante!
 
 
As ruas engalanadas
Com festões bem coloridos
Alegram já os turistas
Risonhos e divertidos.
 
 
O baile festeja as noites
Antes do dia abeirar,
Come-se a sardinha assada
Com o tinto a acompanhar.

 
Terá cortejo a Avenida
Com música e cantoria,
Nossas marchas populares
Desfilam com galhardia.

 
Representam nossos bairros
Símbolos e suas trovas,
Arcos e balões em festa
Em ofertas sempre novas.

 
Santo António nunca falta
Em alindado altar
E o manjerico lá 'stá
Com seu cravo a enfeitar.

 
As meninas casadoiras
A girar saias rodadas,
Rapazes a saltitar
Calças pretas ajustadas.

 
Vários focos a alternar
Numa Avenida vistosa.
E o ritmo em sintonia
Torna cada marcha airosa.

 
Uma delas ganhará
O primeiro prémio ali.
Desfilará a contento
Muito senhora de si.
 
 
'Stá a chegar o Santo António,
Dia de festa, alegria,
Na cidade de Lisboa.
Dai largas à fantasia!
 
Maria da Fonseca

 

sábado, 1 de junho de 2013

No Dia da Criança - 2013

 
 




Feliz Dia da Criança,
Eu vos venho desejar,
Contudo a desesperança
Embaça, dos Pais, o olhar.
 
A alegria natural
De querer ter mais presentes
Esbate-se em Portugal
Para os nossos inocentes.
 
Os seus Pais apoquentados
Desde o nascer da manhã.
Alguns já desempregados,
Todos temem o amanhã.
 
Seja dita a verdade,
Temos que ter confiança,
Lutar em qualquer idade
P'lo futuro da Criança.
 
Muito breve ela será
O símbolo do País,
A gente que vencerá
A prezar sua raiz.
 
Feliz Dia da Criança!
'Stamos prontos a ajudar,
Não nos falte a esperança
De a crise superar.
 
Maria da Fonseca



quinta-feira, 30 de maio de 2013

O Passeio de Santo António de Augusto Gil (1873 -1929)

 
 
 



Saíra Santo António do convento,
A dar o seu passeio costumado
E a decorar, num tom rezado e lento,
Um cândido sermão sobre o pecado.

Andando, andando sempre, repetia
O divino sermão piedoso e brando,
E nem notou que a tarde esmorecia,
Que vinha a noite plácida baixando…

E andando, andando, viu-se num outeiro,
Com árvores e casas espalhadas,
Que ficava distante do mosteiro
Uma légua das fartas, das puxadas.

Surpreendido por se ver tão longe,
E fraco por haver andado tanto,
Sentou-se a descansar o bom do monge,
Com a resignação de quem é santo…

O luar, um luar claríssimo nasceu.
Num raio dessa linda claridade,
O Menino Jesus baixou do céu,
Pôs-se a brincar com o capuz do frade.

Perto, uma bica de água murmurante
Juntava o seu murmúrio ao dos pinhais.
Os rouxinóis ouviam-se distante.
O luar, mais alto, iluminava mais.

De braço dado, para a fonte, vinha
Um par de noivos todo satisfeito.
Ela trazia ao ombro a cantarinha,
Ele trazia… o coração no peito.

Sem suspeitarem de que alguém os visse,
Trocaram beijos ao luar tranquilo.
O Menino, porém, ouviu e disse:
- Ó Frei António, o que foi aquilo?…

O Santo, erguendo a manga de burel
Para tapar o noivo e a namorada,
Mentiu numa voz doce como o mel:
- Não sei o que fosse. Eu cá não ouvi nada…

Uma risada límpida, sonora,
Vibrou em notas de oiro no caminho.
- Ouviste, Frei António? Ouviste agora?
- Ouvi, Senhor, ouvi. É um passarinho.

 
- Tu não estás com a cabeça boa…
Um passarinho a cantar assim!…
E o pobre Santo António de Lisboa
Calou-se embaraçado, mas por fim,

Corado como as vestes dos cardeais,
Achou esta saída redentora:
- Se o Menino Jesus pergunta mais,
…Queixo-me à sua mãe, Nossa Senhora!

Voltando-lhe a carinha contra a luz
E contra aquele amor sem casamento,
Pegou-lhe ao colo e acrescentou: - Jesus,
São horas…
E abalaram pró convento.
 
Augusto Gil

sábado, 25 de maio de 2013

Ora Chove, Ora Faz Sol

 
 


Ora chove, ora faz Sol
Nesta primavera fria,
Nem escuto o rouxinol
E esqueço que sou Maria.
 
Do Minho até aos Algarves,
Um aguaceiro fustiga
As folhas novas das arves.
Não trato a chuva de amiga.
 
O céu está bem forrado
De espessas nuvens cinzentas,
Mas breve 'stará azulado
Ao se afastarem atentas.
 
Rama molhada, brilhante,
Joga ao sabor da nortada,
O Sol a impor cambiante,
Eu quedo-me enfeitiçada...
 
E logo volta a chover,
O vento norte não cede,
Vejo as flores a sofrer,
Meu poema não sucede.
 
O inverno foi embora
E não me deixou saudade.
Mas em Maio, mesmo agora,
Pouco mudou na verdade.
 
Ora chove, ora faz Sol
Nesta primavera fria.
Cante pronto o rouxinol
Pra lembrar que sou Maria.
 
Maria da Fonseca


segunda-feira, 13 de maio de 2013

Flor de Laranjeira

 
 





A alegrar a primavera
Nasceu mais uma florinha,
Ontem ainda em botão,
Já prometes a frutinha!
 
 
De manhã logo te vi
Minha flor de laranjeira,
Miniatura que me encanta
Entre irmãs és a primeira.

 
Branca, pura, perfumada,
Será breve o teu viver,
As pétalas a cair
Logo o fruto a aparecer.

 
Outros botões a espreitar,
A prever mais floração
Junto aos macios citrinos,
Milagre da Criação.
 
 
Também há as folhas novas
Crescendo rapidamente,
São de um verde mais aberto
A rematar livremente.
 
 
E a laranjeira-mirim
Se prepara, preciosa
Jóia que Deus ofertou
Com seu Amor, radiosa.
 
Maria da Fonseca