segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Ao Recordar o Natal





A Igreja vem recordar
Mais um Natal que entreluz.
Nasceu pra nos vir salvar
Há dois mil anos, Jesus.

À espera 'stão as crianças
Para ver o Deus Menino,
Há promessas e alianças
Pra nosso Deus Pequenino.

Veio ao mundo padecer,
Perdoar nossos pecados,
E ajudar a viver
Doentes e maltratados.

Ensinar-nos a rezar,
A ter Fé, pedir a Deus,
Que a Paz seja em cada lar
nesta Terra sob os céus.

Nos tratarmos como irmãos
Que somos em Jesus Cristo,
Simples como bons cristãos,
Há dois mil anos previsto.

Adoremos o Natal
E vivamos com o Senhor,
Companheiro sem igual,
Que nos remiu por Amor.

E sejamos cada dia
Mais fraternos, mais unidos,
No Ano que principia,
Ao Menino, agradecidos.
 
Maria da Fonseca


sábado, 14 de dezembro de 2013

Natal

 

 
Uma noite das normais,
Um burrinho e uma vaquinha
Num estábulo de animais,
Manjedoura com palhinha.
 

E os viandantes chegaram,
Nossa Senhora co'as dores,
E aí se acoitaram
Sem ajuda, sem favores.
 

O Seu Menino nasceu,
Tal como lhe fora dito
P'lo Anjo que apareceu
A anunciar o Bendito.
 

Nas palhinhas O deitou,
Enfaixado com amor,
Só São José ajudou
E os animais co'o calor.
 

 
Com esta simplicidade
Nasceu o Filho de Deus,
Exemplo de humildade
Pra todos desceu dos Céus.
 

Essa é a noite especial
Que sempre comemoramos
Em cada ano, O Natal,
Com que ternura O amamos!
 
 
Maria da Fonseca


quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Limpidez Outonal

 
 

foto de Maria João Costa



Tremem folhas do relvado
Ao sabor do vento norte,
E brilham iluminadas
Pelo Sol de núcleo forte.

Neste outono transido
Pela massa de ar polar
Sofremos todos o frio
Sob um céu azul sem par.

As arves meio despidas
Perdem folhas cada dia.
Voam que nem avezinhas
Brincando com alegria.

Formoseando o jardim,
A transparência é tal
Que, das outras estações,
Nenhuma aparece igual.

Flores, só há no meu lar
Antúrios e violetas,
Também as agride o clima,
Mas estão belas, facetas.

Neste ano, dois mil e treze,
Está o outono assim.
Não sei se a chuva faz falta,
Mas 'stá tão lindo o jardim!
 
Maria da Fonseca


sábado, 7 de dezembro de 2013

Reencontro

 
 
 
 
 
 
REENCONTRO
 
Soneto dedicado à ilustre poetisa
e amiga Efigênia Coutinho em
Abril de 2009

Seu desvelo jamais irei ‘squecer,
Poetisa de nobre coração,
Aos amigos ‘stendendo sua mão,
Sonho e valia em nós reconhecer!

Vivemos com a alma o seu querer
Numa partilha de êxitos e ação.
Agora viverá nova emoção
Mimando novo amor a florescer.

Abençoada mestra da poesia,
Quantas vezes lançou o pensamento
Em busca no além-mar da fantasia

Do poético sentir de um momento!
Encontrá-la será nossa alegria,
Seus versos, seu carinho, seu talento.
 
 
Maria da Fonseca


sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Revendo o Tejo

 
 

 
 

Que lindo o Tejo encantado
Nesta tarde outonal,
O Sol na água espelhado,
O vento a agir informal.
 
 
Atravessando o rio,
Diligentes cacilheiros;
Vai pró mar alto um navio,
Rumo aonde há coqueiros.
 
 
Tem jovens a velejar
A animar minha vista,
E barquinhos a singrar
Com perícias de artista.
 
 
A ponte pênsil por perto,
Ao longe o Cristo-Rei.
O céu só meio encoberto,
Horizonte que amarei.
 

Minha Lisboa briosa
Donde há anos eu parti,
Agora 'stás mais formosa,
Mato a saudade de ti.
 
Maria da Fonseca

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Inspiração do Artista

 
 
 
 
foto de Maria João Costa
 
 
 
A natureza a inspirar
A criação do artista
Desde as mais antigas eras
Até agora, benquista.
 
 
Com preparos e pincéis
Desenvolvia o pintor
Linda tela matizada
Com mão firme e muito amor.

 
Mais aéreo, o poeta
Recitava seduzido
Pelo ameno céu azul,
A desejar ser ouvido.
 
 
O músico, mui sensível,
Preparava a melodia
Que o cantor realçava
Num momento de magia.
 
 
E tranquilas bordadoras
Com suas mãos delicadas
Ornavam de finas flores
Ricas toalhas cuidadas.
 
 
A belas fotografias
Temos vindo a ter acesso,
Coloridas, radiosas,
Graças ao nosso progresso.
 
 
A arte sempre evolui
Fiel à mãe natureza,
Os artistas possuídos
Pelo sentir da beleza.
 
Maria da Fonseca


segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Todos Irmãos

 
 
 

O pequenito chegara,
Noite alta, luz além.
Chegara pobre, e dormindo
Ao colo de sua mãe.
 
 
Contou ela sua vida
Em busca do pai perdido,
À boa mãe de família,
Que os tinha recolhido.
 
 
Já tinha mais alguns filhos
Daquele homem que ela amava.
Mas vê-lo sempre partir,
Era o que a não conformava.

 
Pegara assim no bebé,
E saíra ao acaso,
Na direcção que pensara
Ser solução prò seu caso.

 
Agasalho para o filho,
A mãe negra lhe of’receu,
" Ficará co’a minha gente
No ninho que Deus me deu,

 
Enquanto você irá
Buscar o pai desavindo,
Se souber onde ele está,
Caso não tenha já vindo".
 
 
Depois de beijar o filho,
Manhã cedo, olhar molhado,
Mãe branca partiu à pressa,
Coração bem apertado.

 
O bebé ali ficou,
Enlevo da petizada,
E passou a meninice
Nessa casa abençoada.

 
Sua mãe não regressou,
Mas o Edson não sabia,
Porque mãe, só tinha uma,
E outra, ele não conhecia.
 
 
Um dia, chegou co'a mãe.
Era um rapaz aprumado,
De nove anos muito vivos,
Afável e comportado.
 
 
Mais tarde foi, que me disse,
Ter a tristeza presente.
Todos na família, escuros,
Só ele ser o dif’rente.
 
Não gostava de ser branco,
Não par’cia natural.
Era seu maior desejo,
Aos seus irmãos, ser igual.
 
Maria da Fonseca