sexta-feira, 12 de setembro de 2014

No Jardim do Éden

 
 




Se a esplanada me encanta,
O jardim é admirável,
Exótica cada planta
No canteiro desejável.
 
 
Cobrir do Sol, quem se senta,
Dos guarda-sóis, a missão,
Bebida que dessedenta,
Pedir rápido ao garção.
 
 
De verga envernizada,
Eu escolhi a cadeira,
Donde desfruto, sentada,
Observar cada palmeira.
 
 
Os arbustos matizados
Do verde ao amarelo
Pelo jardim espalhados
Atendem ao meu anelo.
 
 
A escova-de-garrafa,
De origem australiana,
Premeia o que a fotografa
Co'uma linda flor ufana.
 
 
Este jardim de beleza
Ao do Éden eu comparo,
Quer por sua singeleza
Quer p'lo ambiente claro.
 
 
O livro já tinha eu lido
Há alguns anos passados,
E em harmonia vivido
Momentos sempre agradados



a) tarde de verão no Estoril Garden (2014)
 
Maria da Fonseca


segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Palavras

 




Quantas palavras bonitas
A nossa língua possui,
Quer faladas ou escritas,
Sempre o sentir as inclui.

 
O escritor as faz brilhar
Em narrações criativas,
O poeta as quer cantar
Em estrofes exclusivas.

 
Simples, ágeis, coloridas
Descrevendo a natureza.
Outras intensas, sentidas
Em memórias de grandeza.
 
 
Velas vogando no mar
No animado verão,
O passarinho a piar
Faz jus à inspiração.
 
 
E as palavras seguem breves,
Carinhosas, radiantes,
Algumas 'inda mais leves,
Delicadas e tocantes.
 
 
Assim flui a língua amada,
Orgulho de todos nós,
Famosa e bem tratada
Desde o tempo dos avós.
 
Maria da Fonseca


quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Tarde de Agosto

 
 
 

Agosto entrou sem calor,
Por aqui até choveu,
Mas não foi desconfortável
Para quem o recebeu.


A temperatura amena
Agradou ao ser humano,
E a água essencial
Regou as plantas sem dano.
 

O Sol tenta aparecer.
Seja o dia promissor
Neste verão menos quente.
Vou sair com meu amor.
 

Iremos pois de mão dada
Bem mesmo ao cair da tarde.
A luz do Sol a refletir
Enquanto o poente arde.


O ar leve, apetecível,
Soprará do rio Tejo,
E a sua transparência
Tornará lindo o que vejo.

 
 
Admiraremos as flores
Suspensas de arves copadas,
E com fruto, os abrunheiros
De folhas acastanhadas.

 
Buganvílias mimarão
A rua meio deserta,
Os pássaros piarão
Na sua morada certa.
 

Voltaremos para casa
Numa perfeita harmonia.
Eu, feliz, pensando em ti,
Sempre a minha companhia.
 
Maria da Fonseca

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Sobre uma Flor...

 
 
 


Não me parece viável
Colher a flor anilada,
Que permanece amável,
Suspensa de uma ramada.

 
Ao longe é como uma rosa,
Mas se a posso ver de perto
É ainda mais formosa,
Cacho de flores aberto.

 
Aplicá-la no poema
É pois despropositado,
Perder-se-ia o meu tema,
Antes de o ter terminado.

 
Em breve ela murcharia.
Dar-me-ia tal desgosto,
Que presto eu deixaria
De a cantar, a meu gosto.
 

Assim, ainda a verei
Enquanto o v'rão permitir,
Da janela a espreitarei
Entre irmãs a competir.
 
Maria da Fonseca


terça-feira, 15 de julho de 2014

Flores Silvestres

 
 

As florzinhas amarelas,
De corolas pequeninas,
Surgem na berma, singelas,
Alegres que nem meninas.

  
Outras de hastes flexíveis
Dançam ao sabor do vento,
Delicadas e sensíveis,
Apelam ao sentimento.

  
Há também as aniladas,
Nova pose, mais perfeitas,
Parecem até plantadas
Por jovens mãos escorreitas.

 
Na verdade são silvestres,
O Senhor, seu jardineiro,
Espalha as flores campestres
A enfeitar o mundo inteiro.

 
Enquanto O puder louvar
Pelos dons da Criação
Nunca O deixarei de amar
E rezar minha oração.
 
 
Assim ao subir a escada
A dar-me o vento no rosto,
Sinto-me mais animada,
P´la vida tenho mais gosto!
 
Maria Fonseca


sábado, 24 de maio de 2014

Rosas

                                                                               
 
 
Eu quero cantar as rosas
Por tão lindas elas serem.
Brancas, rosa ou vermelhas,
Belas cores me of'recerem.
 

Onde estão, elas encantam,
Quer no quintal da vizinha,
Na sebe da viscondessa,
Ou na antiga capelinha.
 

Também há quem as coloque
Nas campas dos mais queridos,
Porque eram as preferidas,
Em vários tons coloridos.
 

 
Têm espinhos, eu sei,
Mas não s'rá essa a razão
Pra deixar de as admirar,
Gratas ao meu coração.
 
 
Reverso tem a moeda,
O gelo pode queimar.
Não há amor sem ciúme
E até o doce, amargar.
 
 
Rosas não há sem espinhos,
Mas, de pétalas macias
Agradecem ao bom Deus
A vida, todos os dias.
 
Maria da Fonseca