quarta-feira, 18 de maio de 2016

Maio Incerto

 

 

Volta a ser a natureza
O meu tema preferido,
Cantar a vossa lindeza
Embora o clima sofrido.

A chuva, uma constante,
E do inverno, o frio
Invade-nos de rompante
E causa-nos arrepio.

Nuvens correndo no azul
Trazidas por forte vento,
Parece virem do sul
Lestas que nem pensamento.

Esta é a primavera,
As árvores estão mais altas,
As folhas, como se espera,
Revestem-nas sem ter faltas.

De variados matizes
Se apresenta sua cor,
Belas, viçosas, felizes,
Aguardamos tenham flor!

Nosso maio 'stá assim,
Plantas tardam a florir,
Espontâneas no jardim
São as que vemos sorrir!
 
 
Maria da Fonseca


domingo, 15 de novembro de 2015

A Cumprir o Outono

 
 
 
 
 
 

Não vou 'squecer este outono
P´la sina ver alterada.
A Criação 'stá na mesma,
Morna, límpida e molhada.

Na marquise tenho as flores
'Inda a brilharem ao Sol,
Violetas perfumadas
E os antúrios arrebol.

Uma rosa pequenina,
Que encanta pela lindeza,
Olha pra mim altaneira,
De cima da minha mesa.

Lá fora 'stá uma arve
A enfeitar o jardim
Com folhagem amarela,
Todos os anos é assim.

As fruteiras rendilhadas,
De folhas secas vestidas,
Que logo se soltarão,
Pela viração, batidas.

E do outro lado, a tília
Que foi linda, harmoniosa,
Vai a perder a frescura,
Tendo florido odorosa.

Por perto 'stá S. Martinho,
Verão e castanha assada.
A beleza outonal
Breve será dissipada!
 
Maria da Fonseca

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Procissão das Velas (12.10.2015)



 



Chove na Cova da Iria
Na noite da Procissão,
AVÉ! AVÉ! AVÉ MARIA!
Saudam com devoção.

De chapéus-de-chuva abertos,
Vela acesa noutra mão,
Os peregrinos libertos
Entregam-se à oração.

A Virgem sobre o andor
De brancos cravos, radiosa,
É louvada com amor
Nesta noite piedosa.

Em Fátima todos rogam
Por saúde, paz, emprego,
E muitos são os que imploram
Por consolo e mais sossego.

Nossa Senhora proteja
Aqueles de que é Rainha,
E também ame e eleja
Quem vem de longe e caminha.

Pagam a sua promessa ,
Pela graça recebida
Ou penar que não regressa,
Oferta já prometida.

E continuam chovidas,
Terras da Cova da Iria,
Faces húmidas, sofridas,
AVÉ! AVÉ! AVÉ MARIA!
 
Maria da Fonseca


quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Chegada do Outono

 

 



O outono chega amanhã,
Estação dos meus encantos,
Nossas arves de manhã
Brilham ao Sol dos espantos.
  
O arbusto que cantei
Tem as folhas matizadas
E o aloendro que amei,
Ainda com flores rosadas.
 
As folhas de tons bem quentes,
Entre a ramagem viçosa,
São para mim os presentes
Por vos cantar, carinhosa.
 
Mas algumas já caíram
E rodam no chão ao vento,
Co'o calor do v´rão secaram,
Soltando-se sem lamento.
 
Todos os dias dif'rentes
As arves do meu jardim,
Como nós seres viventes,
Ledas por serem assim.
 
E a estação vai entrar,
Rogarei a nosso orago,
Quando chover e ventar
Não venha causar estrago!
 
Maria da Fonseca

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Fascínio do Mar


 
foto de Maria João Costa
 
 


Saudar este mar azul!
Logo que o vejo me espanta
Com o brilho generoso
Do Sol de v'rão que acalanta.

Revejo-o em cada ano
Sempre com a mesma alegria,
Este mar que me fascina
E realça a fantasia.

Mas nunca igual a si próprio,
Sua água em movimento
Corre, ondula e avança
Rolando a todo o momento.

Molha a areia da praia
A impor sua vontade,
Os grãos pequeninos rodam
E deslizam na verdade.

Recua depois e arrasta,
Com esforço bem maior,
Conchas e pedras roladas
Na espuma ao derredor.

Enquanto vai e regressa
Este mar, que assim me encanta,
Banha a nossa costa sul
E traz-me saudade tanta!
 
Maria da Fonseca


quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Ameno Dia de Verão



O farto arbusto florido
Sobressai em tons de rosa
Junto às árvores cobertas
De ramagem generosa.
 

O ambiente é de luz
Ao meio dia solar,
Sopra uma aragem suave,
Põe as folhas a abanar.
 
  
Mais pequenas são as sombras
Bem na hora do calor,
Crescem ao correr do dia
Caminho do Sol se pôr.
 

A macieira deu fruto
Já há maçãs pelo chão,
Mas de certeza, vos digo,
Só aves as bicarão.
 

A tarde cai mansamente
Enquanto a luz dourada
Enche o jardim de magia
Com cada flor matizada.
 
 
E amanhã de manhã,
Quando à janela assomares,
Lindo buquê anilado
Lá 'stará pra te alegrares.
 
Maria da Fonseca