domingo, 6 de março de 2011

Depois da Chuva




Depois desta chuva, amor,
Eu quero ver minhas flores,
E os pássaros meus vizinhos,
Se sentiram meus temores.



A magnólia 'stá florida
Cheia de gotas pousadas
Nas pétalas cor de rosa,
Com outras no chão 'spalhadas.



Deslumbra pois quem a vê
No recanto do jardim,
Preciosa, encantadora,
Gostamos de a ver assim.



Outras flores que eu julguei
Desfeitas p´lo vendaval
Erguem-se lindas, louvando
A chuva essencial.



E já o melro se afoita
Na relva verde, lavada,
A procurar o sustento
Picando a terra molhada.



E o Sol a romper as nuvens
A ajudar na Criação.
Vamos embora, amor,
Deus não os esqueceu, não!

Maria da Fonseca



sexta-feira, 4 de março de 2011

Respeitai a Mulher





É a mulher maltratada
Por todo esse mundo além,
No trabalho, na família,
Até se esquecem que é mãe!



Que traz no ventre os seus filhos
Que s’rão homens amanhã
E possuirão a Terra.
Mas que prepotência vã!



Com obrigação distinta,
Menina, esposa e mãe,
Não deve ser violentada
Por humana ser também.



Atendei aos seus direitos,
Seu poder de afirmação,
Ajudai-a com estima
A cumprir sua missão.



E o mundo será melhor
Se a mulher for respeitada.
Deixai de a menosprezar.
De Deus, filha abençoada!

Maria da Fonseca



segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Fevereiro a Florir



Que te pareces comigo,
Árvore do meu jardim,
Já eu tinha percebido,
Uma irmã igual a mim.



Mas agora foi demais,
Ver tuas mimosas flores
Nos ramos secos e nus,
A atrair admiradores!



Lesta corri para casa
Em busca do calendário.
Estamos no último dia
Deste Fev’reiro tão vário.



Peguei depois na caneta
E rabisquei no papel
Estes tão singelos versos
De rima sóbria, fiel.



Porque os q’ria escrever hoje,
Antes de tu, abrunheiro,
Te enfeitares de brancas flores,
Foi desejo verdadeiro.



Modestas as redondilhas,
Flores artificiais,
Não se comparam às tuas,
Formosas e naturais.



Imploro ao Senhor Meu Deus
Para te rever assim.
Sei que me vais encantar
Bela árvore do jardim!

Maria da Fonseca





domingo, 27 de fevereiro de 2011

Domingo à Beira Tejo


foto de J. Bastos Baptista


Do primeiro andar do pub,
Vejo o Tejo em seu esplendor.
Enfunadas vão as velas.
Abençoa o Redentor.


O Sol 'stá a bronzear
Quem petisca na varanda.
E o comboio além na ponte,
Sua marcha, não abranda.


Passeia-se à borda d'água
Entre carros de bebé
E fogosas bicicletas.
As famílias vão a pé.


Debaixo da ponte pênsil,
Escuta-se a vibração
Da metálica estrutura,
Das margens, a ligação.


A tarde vai a cair
Na precoce Primavera.
As pessoas 'stão saudosas,
Parece longa a espera.


Suave, larga, ondulada,
A água do Tejo brilha.
Eu vou recordar-te assim,
Ó meu Deus, que maravilha!


E ao afastar-me do rio,
Inundando o ambiente,
Deixo uma luz preciosa
Do lado do Sol poente.

Maria da Fonseca

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Prenúncio da Primavera




Penso espreitar-te daqui,
De mim ‘stás muito afastada,
Mas há pouco fui aí
E fiquei maravilhada.



Linda magnólia rosada,
Cada rebento, uma flor!
Cada pétala pintada
Pela mão do Criador!



A meio de Fevereiro
Primavera prenuncias,
E és sempre a que primeiro
Vens colorir os meus dias.



Apesar do teu recato
Bem junta à maternidade,
Atrais a vista e o olfato
E encantas com amizade.



As abelhinhas felizes
Sugam o néctar das flores
Em cor-de-rosa e matizes,
Cumuladas de louvores.



O chão juncado de pétalas
Torna efémera a lindeza,
E só restarão as sépalas
Dentro de dias, princesa.



Serás bela novamente
A par de outras irmãs,
Verdes folhas de presente
Em orvalhadas manhãs.

Maria da Fonseca


sábado, 19 de fevereiro de 2011

Ilusão



Cai a noite no Estoril,
Recende ainda o jardim.
Uma doce sensação
Existe dentro de mim.



Dois lindos astros suspensos
Brilham num azul sem par.
A Lua está no crescente
E Vénus a acompanhar.


 

A estrela vespertina
Em tão bela conjunção!
Dispôs-se melhor no céu
A dar-nos esta ilusão.



Para afastar os meus olhos,
Deus não dá essa coragem.
Sinto que o momento é breve,
Quero reter sua imagem.



Amanhã vem outro dia.
E a posição aparente
Destes dois corpos celestes
Será outra, certamente.


Uma tão grande beleza
Canto aqui em pobre verso.
Senhor, como Vos dou graças
Pelos Dons do Universo.

Maria da Fonseca


sábado, 12 de fevereiro de 2011

O Abelharuco

Fotografia oferecida por um amigo


Ave linda, colorida,
A encantar os artistas,
Não sabemos se tens alma... 
Mas a todos nós conquistas.


Beleza da Criação
Com as cores do arco-íris,
Guardámos a tua imagem
'Inda antes de partires.


Migratória, nossa irmã,
A nós também te assemelhas,
Só não podemos voar
Nem perseguir as abelhas.


Assim ficarás aqui
Pousada no areal,
Esperaremos por ti
Neste nosso Portugal.


Viajarás doutro modo
Pelo blogue divulgada,
Na internet a adejar,
Formosa ave iluminada!

Maria da Fonseca