quinta-feira, 7 de abril de 2011

Tempos Difíceis



Só a Primavera alegra
Neste desconforto vão,
Ela sim e sua regra
Consolam meu coração!


Noticiam dos horrores
Que assolam o Japão,
Suas gentes, seus pavores,
O espectro da radiação!


Hostil o nosso planeta
A ceifar seres humanos!
Também progresso é grilheta
A cumprir todos os planos!


Das guerras, que vou dizer?
Julgam que é por bem que existem...
Mas não s'rá para manter
Estratégias que persistem?


E aqui no País, Senhor,
Onde quase falta o pão,
Porque há tanto desamor
Porque não se entendem , não?!


As notícias a pesar
Todos os dias piores,
Que fizemos pra penar
E não ter dias melhores?


Só a Primavera alegra
Neste desconforto vão,
Ela sim e sua regra
Consolam meu coração!

Maria da Fonseca

quinta-feira, 31 de março de 2011

À Primavera


 
Já chegaste, Primavera?!
Alegras-me o coração.
Borboletas voejando,
Pássaros em comunhão.


O que me fazes sentir
Eu não sei bem descrever.
Mais um ano ter passado,
E eu, viva, para te ver!


A Luz assim me comove,
Tudo a nascer em redor.
Flores brancas e amarelas
Aparecem a compor.


Andam uns atrás dos outros,
Os pombinhos a arrulharem.
Coloridas, as cabeças,
Sempre, sempre a menearem.


Como bolinhas de pêlo,
Os filhos estão no pombal.
- Cuidado, não têm penas,
Não se cheguem ao beiral.


Ó Sol benfazejo aquece.
O frio saia sem demora.
Senhor Deus volta a criar,
Manda o Inverno ir embora!

Maria da Fonseca

segunda-feira, 28 de março de 2011

Soneto de Luís de Camões

Luís de Camões
(1524-1580)


 
SONETO

Sete anos de pastor Jacó servia
Labão, pai de Raquel, serrana bela:
Mas não servia o pai, servia a ela,
Que a ela só por prémio pretendia.


Os dias na esperança de um só dia
Passava, contentando-se com vê-la:
Porém o pai, usando de cautela,
Em lugar de Raquel lhe deu a Lia.


Vendo o triste pastor que com enganos
Assi lhe era negada a sua pastora,
Como se não a tivera merecida,


Começou a servir outros sete anos,
Dizendo: mais servira, se não fôra
Para tão longo amor tão curta a vida.

Luís de Camões

segunda-feira, 21 de março de 2011

Chegada da Primavera



Receber a Primavera
Com carinho e alegria
Encher a casa de flores
Escrever uma poesia


À janela estar contente
Olhar o céu e o jardim
Escutar os passarinhos
E adorar que seja assim


Abrir a porta com gosto
E sair com o meu amor
Levar um lenço ao pescoço
E no cabelo uma flor


Observar a natureza
Quais as árvores floridas?
E as que ainda não têm folha
Parecem adormecidas!


Aspirar o ar mais leve
E o aroma dos citrinos
Da relva cortada há pouco
Em farrapos pequeninos


E andar assim de mão dada
Enquanto o Sol nos aquece
A aproveitar a chegada
Da estação que acontece


Louvar ao Senhor meu Deus
Pelo dia abençoado
E regressar ao meu lar
Co'o coração amimado!
 

Maria da Fonseca

sábado, 19 de março de 2011

No Dia do Pai


Pai das minhas três Meninas!
Elas também me agradecem
Por contigo ter casado,
Pelo amor que te merecem.


Com amor foram geradas,
Com desvelo recebidas.
Não há Pai mais amorável
Prás suas filhas queridas.


Hoje é o teu dia, Amor,
E o de S. José, também.
Todos os outros do ano
Sejam bons dias. Amém.


Todo o amor te dedicar
É esse o nosso desejo.
Ao Marido e Pai amigo,
Um mui carinhoso beijo.

Maria da Fonseca


quinta-feira, 17 de março de 2011

Promessa de Primavera



Essa linda magnólia que me encanta
Em todos os invernos, a florir…
Da Criação, sinal de graça tanta,
A nova Primavera a sugerir!


Com as flores rosadas acalanta
E seu doce perfume a espargir!
Mas não tarda, a nortada se levanta
E a forte chuva ainda vai cair.


Dia a dia, eu vejo-a perder
A beleza efémera, saudosa,
Que tão breve se irá esvaecer,


Quando soltas, as pétalas voarem,
E então a Primavera radiosa
Virá, para os Poetas a cantarem!

Maria da Fonseca

segunda-feira, 14 de março de 2011

O Grito


Esse grito prolongar,
Desejo, cheia de ardor!
Gritar a plenos pulmões,
Empenhar o meu vigor!



Pelos vales e montanhas,
O grito ressoará!
Anseio de corações,
O vento o propagará…


E quando não puder mais,
Qualquer irmão, outro ser
Continuará nosso grito
Até a Paz suceder!


Entreguemos nosso grito
Às crianças a nascer.
Tornar-se-á imortal
Pois nunca irá perecer!


E o grito perdurará,
Símbolo da humanidade.
São nossos rogos a Deus
Pela Paz, pela Verdade.

Maria da Fonseca