domingo, 11 de setembro de 2011

No 11 de Setembro de 2001




E nesta confusão de sentimentos,
Que tão grande tragédia provocou,
Eu compreendo e sinto iguais tormentos.
Como o meu coração se revoltou!


Que os povos não comecem a matar,
Invocando as suas religiões.
Neste tempo, nem posso acreditar,
Quanta ira a levantar multidões!


Não é possível que em teu nome, ó Deus,
Tenham feito tão grande atrocidade!
Milhares de pessoas indefesas,


Perderam o seu último adeus!
Senhor, que a tua Paz, por piedade,
Evite o atear de mais tristezas.

Maria da Fonseca


sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Recordação de Velm - Áustria




              
Quatro horas da manhã,
Já em Velm o Sol nasceu,
O cortinado vermelho
Agradou-se e não 'scondeu.


A luz coada p'la teia
Entrou na vetusta sala.
As memórias de família
Raiadas de tons opala.


Afastei o cortinado.
A seara ondulava
Em movimentos suaves.
Uma nuvem o céu forrava.


A minha irmã me chamou
- Como é cedo! Vem dormir.
- Ouço os ruídos do campo,
Como vou eu conseguir?


Escuto a água da rega,
'Stá distante a alvorada,
Imagino cada flor
A abrir-se, encantada!


Ao longe vislumbro ainda
A cultura de um cereal,
Não dourado como o trigo,
Todo verde por igual.


Quero encontrar o melro
Que ontem 'stava no jardim.
Deste lado não o vejo,
Poderá cantar pra mim?!


Deleita os olhos e a alma
Esta seara dourada
Bailando ao sabor do vento.
Quero ficar acordada!

Maria da Fonseca


quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Ilhas Açorianas

foto de Luiza Melo


‘Stamos no meio do mar
Na rota da Graciosa,
Entre S. Jorge e o Pico.
Mas que visão espantosa!


Em lugar das fortes vagas
Do mau tempo do Canal,
‘Stá o Atlântico tranquilo
Cercando o Grupo Central.


Da imensidade surgidas,
As Ilhas são deslumbrantes.
As nuvens cobrem seus Picos,
Que se mostram por instantes.


Brilha o Sol no Oceano,
Em redor tudo ilumina.
Seguimos muito agradados,
A beleza nos domina.


Nosso barco fende a água
Que gorgoleja estouvada.
Gostoso é poder sentir
O sal na face crestada.


Sem nunca se misturarem
O céu e o mar ali estão.
Mas pra nós é tudo azul,
Dia lindo de Verão!

Maria da Fonseca

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Agosto em Lisboa



Andamos como formigas
A acarretar para casa,
Enquanto a cigarra canta
Devido ao calor que a abrasa.


Querem todos ir de férias
E fugir desta cidade.
Vejo os pombos sequiosos.
Apesar da liberdade,


Procuram as poças de água
Da rega do meu jardim,
Para matarem a sede,
Mesmo aqui ao pé de mim.


À medida que avança,
A tarde quente emudece.
Já não se escuta a cigarra
Nem qualquer ave aparece.


‘Stamos na hora da sesta
Que a todos no V’rão convida
A remansear um pouco
Nesta Lisboa florida.


Eu sempre te quero muito
Em todas as estações,
Para mim bem definidas,
Cheias de recordações.


Mais nossa, mais acessível,
Temos agora a cidade.
Lindo o Agosto em Lisboa.
Longe de ti, só saudade!

Maria da Fonseca


sexta-feira, 5 de agosto de 2011

A Magia do Algarve



Ó linda Praia da Rocha,
Quando chego é uma alegria,
Minha alma desabrocha,
Em tudo encontro magia.


Quero matar a saudade
Do teu mar maravilhoso,
Da fina areia, deidade,
Teu encanto generoso.


A luz do Sol a pintar
A beleza da paisagem
E as gaivotas a animar
Com seus sons, sua passagem.


Rastos de brancas escumas
Dos barcos a deslizar
Riscam a água de plumas
A alindar o azul do mar.


Ó praia linda, formosa,
Transmites tranquilidade,
Manhã de V'rão preguiçosa.
Regressarei co'a saudade!

Maria da Fonseca


quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Encantamento




                                                 
 Ao calmo abrir da janela,
A vista surpreendente
Enfeitiça o meu olhar,
Na tarde serena e quente.


A banhar a costa de ouro,
‘Stá o mar imenso e azul,
E a linha do horizonte
Perfeita, virada ao Sul.


Junta-se além o Arade,
Entre dois faróis atentos.
O céu limpo e transparente
Espantou todos os ventos.


Cheias de encanto as gaivotas
Passam tão perto de mim,
Como crianças brincando
À roda do seu jardim.


Agora é uma que grita,
Voa rápida, zangada.
Porém, mantém-se a harmonia,
Eu não me sinto lesada.


Descrever, eu não consigo,
Esta deslumbrante vista,
O que vejo, o que sinto.
Quem dera que fosse artista!


Mas dou-vos graças, Senhor,
Por ter olhos para ver
E um coração para amar
O Teu Divino Poder.

Maria da Fonseca

terça-feira, 26 de julho de 2011

Meu Mar


 
Procuro a inspiração
Para te cantar, meu mar.
Olho-te com afeição,
Anseio não te deixar.


És de um azul precioso,
Nem uma nuvem no céu.
Um veleiro valoroso
Passa ao largo do ilhéu.


Elegante a deslizar
Leva as velas enfunadas.
Soberbo, feliz no mar,
Fende as ondas prateadas.


Em curvas suaves planam
As gaivotas sem esforço,
Também contigo se irmanam
Vogando sobre o teu dorso.


E na arriba, além
'Stão os seus ninhos pousados,
Cada pai e cada mãe
Com seus filhos vigiados.


Quero reter esta imagem,
Ó meu mar, ó meu encanto,
Recordar a paisagem
Que inspirou este canto.

Maria da Fonseca