quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Dia de Calor


 

O calor silenciou
Este sábado tão quente!
Só a cigarra o quebrou
Com seu cantar insistente.




Ao longe latiu um cão
Que decerto se moveu.
Mas neste dia de V’rão
Nem uma folha mexeu.




As poucas aves que vejo
Buscam as sombras dos ramos.
Há outras que não versejo,
‘Stão quietas como estamos.




Os corpos pesam demais
O tempo custa a passar.
Pendem folhas nos quintais,
Não é hora de regar!




Este silêncio espesso
Prende os nossos movimentos
E o espírito mais travesso
Até esquece seus intentos.




Amanhã s’rá novo dia
De Verão e de calor.
Ao terminar a poesia
Rogo brandura ao Senhor!

Maria da Fonseca











domingo, 11 de setembro de 2011

No 11 de Setembro de 2001




E nesta confusão de sentimentos,
Que tão grande tragédia provocou,
Eu compreendo e sinto iguais tormentos.
Como o meu coração se revoltou!


Que os povos não comecem a matar,
Invocando as suas religiões.
Neste tempo, nem posso acreditar,
Quanta ira a levantar multidões!


Não é possível que em teu nome, ó Deus,
Tenham feito tão grande atrocidade!
Milhares de pessoas indefesas,


Perderam o seu último adeus!
Senhor, que a tua Paz, por piedade,
Evite o atear de mais tristezas.

Maria da Fonseca


sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Recordação de Velm - Áustria




              
Quatro horas da manhã,
Já em Velm o Sol nasceu,
O cortinado vermelho
Agradou-se e não 'scondeu.


A luz coada p'la teia
Entrou na vetusta sala.
As memórias de família
Raiadas de tons opala.


Afastei o cortinado.
A seara ondulava
Em movimentos suaves.
Uma nuvem o céu forrava.


A minha irmã me chamou
- Como é cedo! Vem dormir.
- Ouço os ruídos do campo,
Como vou eu conseguir?


Escuto a água da rega,
'Stá distante a alvorada,
Imagino cada flor
A abrir-se, encantada!


Ao longe vislumbro ainda
A cultura de um cereal,
Não dourado como o trigo,
Todo verde por igual.


Quero encontrar o melro
Que ontem 'stava no jardim.
Deste lado não o vejo,
Poderá cantar pra mim?!


Deleita os olhos e a alma
Esta seara dourada
Bailando ao sabor do vento.
Quero ficar acordada!

Maria da Fonseca


quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Ilhas Açorianas

foto de Luiza Melo


‘Stamos no meio do mar
Na rota da Graciosa,
Entre S. Jorge e o Pico.
Mas que visão espantosa!


Em lugar das fortes vagas
Do mau tempo do Canal,
‘Stá o Atlântico tranquilo
Cercando o Grupo Central.


Da imensidade surgidas,
As Ilhas são deslumbrantes.
As nuvens cobrem seus Picos,
Que se mostram por instantes.


Brilha o Sol no Oceano,
Em redor tudo ilumina.
Seguimos muito agradados,
A beleza nos domina.


Nosso barco fende a água
Que gorgoleja estouvada.
Gostoso é poder sentir
O sal na face crestada.


Sem nunca se misturarem
O céu e o mar ali estão.
Mas pra nós é tudo azul,
Dia lindo de Verão!

Maria da Fonseca

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Agosto em Lisboa



Andamos como formigas
A acarretar para casa,
Enquanto a cigarra canta
Devido ao calor que a abrasa.


Querem todos ir de férias
E fugir desta cidade.
Vejo os pombos sequiosos.
Apesar da liberdade,


Procuram as poças de água
Da rega do meu jardim,
Para matarem a sede,
Mesmo aqui ao pé de mim.


À medida que avança,
A tarde quente emudece.
Já não se escuta a cigarra
Nem qualquer ave aparece.


‘Stamos na hora da sesta
Que a todos no V’rão convida
A remansear um pouco
Nesta Lisboa florida.


Eu sempre te quero muito
Em todas as estações,
Para mim bem definidas,
Cheias de recordações.


Mais nossa, mais acessível,
Temos agora a cidade.
Lindo o Agosto em Lisboa.
Longe de ti, só saudade!

Maria da Fonseca


sexta-feira, 5 de agosto de 2011

A Magia do Algarve



Ó linda Praia da Rocha,
Quando chego é uma alegria,
Minha alma desabrocha,
Em tudo encontro magia.


Quero matar a saudade
Do teu mar maravilhoso,
Da fina areia, deidade,
Teu encanto generoso.


A luz do Sol a pintar
A beleza da paisagem
E as gaivotas a animar
Com seus sons, sua passagem.


Rastos de brancas escumas
Dos barcos a deslizar
Riscam a água de plumas
A alindar o azul do mar.


Ó praia linda, formosa,
Transmites tranquilidade,
Manhã de V'rão preguiçosa.
Regressarei co'a saudade!

Maria da Fonseca


quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Encantamento




                                                 
 Ao calmo abrir da janela,
A vista surpreendente
Enfeitiça o meu olhar,
Na tarde serena e quente.


A banhar a costa de ouro,
‘Stá o mar imenso e azul,
E a linha do horizonte
Perfeita, virada ao Sul.


Junta-se além o Arade,
Entre dois faróis atentos.
O céu limpo e transparente
Espantou todos os ventos.


Cheias de encanto as gaivotas
Passam tão perto de mim,
Como crianças brincando
À roda do seu jardim.


Agora é uma que grita,
Voa rápida, zangada.
Porém, mantém-se a harmonia,
Eu não me sinto lesada.


Descrever, eu não consigo,
Esta deslumbrante vista,
O que vejo, o que sinto.
Quem dera que fosse artista!


Mas dou-vos graças, Senhor,
Por ter olhos para ver
E um coração para amar
O Teu Divino Poder.

Maria da Fonseca