quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Nasceu o Poema



 Faz-se a sílaba com letras,
Com sílabas, a palavra,
Com palavras, o poema,
Que eu amo e o poeta lavra.


Surge o verso devagar...
Assim roda a margarida,
De manhã até à tarde
P'lo Sol vivo, atraída.


Terna, a alma inspirou
O seu primeiro sentir,
Depois, é sobre o papel
A pena deixar seguir.


Breve raiará a estrofe
De versos apetecidos.
A rima será cuidada
Mesmo a eito aparecidos.


Atrás de uma, outra virá,
Promessa de bem querer,
A louvar todas as graças
Para não mais esquecer.


O poema fluirá
Enquanto ao toque da lira
Pelo sentir do poeta,
A sua alma se inspira.

Maria da Fonseca


terça-feira, 4 de outubro de 2011

Idílio de Antero de Quental



Antero de Quental
(1842-1891)
      

IDÍLIO

Quando nós vamos ambos, de mãos dadas,
Colher nos vales lírios e boninas,
E galgamos dum fôlego as colinas
Dos rocios da noite inda orvalhadas:



Ou, vendo o mar, das ermas cumeadas,
Contemplamos as nuvens vespertinas
Que parecem fantásticas ruínas
Ao longe, no horizonte, amontoadas:



Quantas vezes, de súbito, emudeces!
Não sei que luz no teu olhar flutua;
Sinto tremer-te a mão, e empalideces...



O vento e o mar murmuram orações,
E a poesia das cousas se insinua
Lenta e amorosa em nossos corações.


Antero de Quental

sábado, 1 de outubro de 2011

Outono em Flor


 

As árvores a florir,
Rosas a desabrochar,
Os pombos no seu derriço,
É o Outono a reinar?!


Mais parece a Primavera,
Este tempo abençoado.
Mês de Outubro, o calendário
Decerto que está errado!


Só à tarde, o Sol se esconde
Mais cedo que o habitual,
Mas a noite ainda está quente
Como na estação estival.


E preguiçosa a manhã,
Atrasada se levanta.
Para não ser acordada,
Nem um passarinho canta.


O Sol nasce muito esperto
A nimbar o cortinado.
Vivamos o nosso amor,
Meu companheiro adorado!

Maria da Fonseca


sexta-feira, 30 de setembro de 2011

A Flor da Laranjeira

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Primeiro dia de Outono!
Abriu a flor que esperava
Da pequena laranjeira,
Por que eu tanto ansiava.


Por entre as verdes folhas
Espreitava cada dia
Com precaução e carinho
Se algum botão surgia.


'Inda tem sete laranjas
A planta que, em Janeiro,
Nos deste com todo o amor,
Para plantar no canteiro.


Dourada p'lo Sol da tarde,
Regada com mil cuidados,
Encheu-se de lindos frutos,
Citrinos alaranjados.


Alegre, eu quero mais flores,
Há outros botões crescendo,
Desejo um Outono morno
Para que vão florescendo.


Espero que dê seus frutos
Para a todos encantar,
Quando os antigos caírem
E o frio 'stiver a chegar.


Será a vida normal
Desta mini-laranjeira,
Raiz, tronco, flor e fruto
Junto de nós, companheira!

Maria da Fonseca


domingo, 25 de setembro de 2011

Poesia do Mar

foto de Maria João Costa


O mar brilhava de encanto
Quando a brisa o afagava.
Em busca de novo canto
O Poeta o admirava.


Assim nascia o efeito
Quando a onda se formava,
O verso a rimar perfeito
Com a praia que esperava.


Outros depois se seguiam
Na linda tarde de V´rão,
As ondas se sucediam
A criar inspiração.


Forte primeiro e vibrante,
Das ondas, o marulhar,
Logo rápida, enleante,
Banhando a areia , a quebrar.


O poema ia surgindo
Ao sabor da ondulação,
A esquivar-se fugindo
Após a rebentação.


E o poeta agradado
Vive a emoção dos seus versos
Perante um mar encantado
De mil segredos imersos.

Maria da Fonseca

sábado, 24 de setembro de 2011

Outono


Primeiro dia de chuva
O tempo está a mudar.
O chão coberto de folhas
Já nos tem vindo a avisar.


Mui sequinhas e douradas,
Formavam tapete lindo.
O Verão foi muito quente,
O Outono será bem-vindo.


Algumas foram varridas.
E a relva assim descoberta,
Cheia de água e viçosa,
Sente-se agora liberta.


Do claro verde ao castanho,
Há todos os cambiantes.
Minha estação preferida,
Se tudo for como dantes!


- Dias límpidos sem mancha
De amena temperatura.
E quintais alaranjados,
Com matizes de verdura.

Maria da Fonseca

sábado, 17 de setembro de 2011

5º Aniversário da AVSPE






À Academia agradeço
Deste lado do Oceano
E com todo o meu apreço
Eu exalto o vosso plano.


Divulgar com todo o afecto
Nobre arte p´lo mundo além,
Tão magnífico projecto
Dedicado à língua mãe!


Vera musa inspiradora,
Como o Sol, nos faz crescer,
Sua digna Fundadora,
Generosa em bem-querer!


Cinco anos de missão
Celebra a Academia,
Cumprimento a Direcção
Que nobilita a Poesia.


Parabéns de Portugal
Que muito respeita e ama
Vossa obra especial.
Viva a AVSPE que proclama
Arte maior, genial!

Maria da Fonseca