sábado, 24 de dezembro de 2011

Véspera de Natal



Lindo este dia de Inverno!
De manhã o Sol nasceu
E, no solstício ainda,
Persistente apareceu.




Entre esparsas nuvens brancas,
Raios alegres, brilhantes,
A preparar o Natal
Presta ajuda aos viandantes.




Mas o dia é pequeno,
Longa será a jornada
Até chegar a Belém.
Maria já vai cansada!




A Família está à espera
Do Menino Anunciado
Que há-de nascer em breve,
O Filho de Deus Amado.




A vinte e quatro, em Dezembro,
Nossa Senhora s’rá Mãe,
É na Noite de Natal…
Já o Sol descansa…Amém!

Maria da Fonseca


sábado, 17 de dezembro de 2011

Traz a Paz ao Nosso Mundo




O Menino vai nascer
Da Virgem cheia de Graça,
Para o Mundo proteger.
A todos ama e abraça.



Debruça-te sobre nós,
Ó Menino encantador,
Roga a Deus com Tua voz,
Que pra sempre afaste a dor.



Pra salvar os irmãos Teus,
Nosso Pai Te enviou,
Mandou-Te descer dos Céus,
Teu Viver sacrificou.



Menino da Salvação
Fortalece nossa prece,
Que o Amor no coração
Pra todos seja benesse.



Traz a Paz ao nosso Mundo
Sem querelas, sem rancor,
Neste espírito profundo
Que é o de Deus Nosso Senhor.

Maria da Fonseca 



A todos os meus amigos desejo um Feliz e Santo Natal e um ano de 2012 cheio de prosperidade


sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Regresso de Miguel Torga


Miguel Torga
(1907-1995)


Regresso
 

Regresso às fragas de onde me roubaram.
Ah! Minha serra, minha dura infância!
Como os rijos carvalhos me acenaram,
Mal eu surgi, cansado, na distância!


Cantava cada fonte à sua porta:
O poeta voltou!
Atrás ia ficando a terra morta
Dos versos que o desterro esfarelou.


Depois o céu abriu-se num sorriso,
E eu deitei-me no colo dos penedos
A contar aventuras e segredos
Aos deuses do meu velho paraíso.

Miguel Torga

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Tradição de Natal




O meu Menino Jesus
Todos os anos chegava
Com as prendas que eu queria
Com o que mais desejava

 
Não havia de O amar
Pois se até me respondia
Em linda letra de forma
Escrevendo no outro dia


Como eu acreditava
Naquele Menino louro
Deitado sobre as palhinhas
Douradas como um tesouro


O Natal bem diferente
Nessa época passada
Era caseiro modesto
Dedicado à pequenada


Nosso Menino Jesus
Deixava na chaminé
Os brinquedos prá’s crianças
No sapatinho ou ao pé


Se na mente do petiz
Uma dúvida surgia
Sobre quem dava os presentes
Quem ‘xplicasse logo havia


- Não te iludas pequenino
Viste a Mãe limpar o lar
É Deus Menino que vem
Nessa noite pra ofertar


A tradição do Natal
Assim se foi transmitindo
Dos pais prò’s filhos pequenos
De grandes olhos sorrindo


Hoje é o Pai Natal que chega
Do frio cheio de presentes
Nosso espírito é o mesmo
Vê-los felizes contentes

Maria da Fonseca

sábado, 3 de dezembro de 2011

Pedra Filosofal de António Gedeão



António Gedeão
(1906-1997)


Pedra Filosofal


Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.


Eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho álacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.


Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa-dos-ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
pára-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão do átomo, radar,
ultra-som, televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.


Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida,
que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.

António Gedeão


quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Os Pombos da Avenida


Num belo dia de Outono,
Descendo a linda Avenida,
Deparei com esta imagem,
Que me deixou comovida.


Os pombinhos saltitavam,
Alegres num grande afã,
À procura de alimento,
Nessa bonita manhã.



Encontrei um bebedouro,
Bem no meio do caminho,
Que mata a sede a quem passa,
Com leveza e com carinho.



Mas que faziam os pombos
Muito vivos e aos pulitos?
Bebiam no jato de água
Com seus nervosos biquitos.



E numa prece ao Bom Deus,
Agradeci, no momento,
O não haver exceções
Debaixo do firmamento.

Maria da Fonseca


domingo, 20 de novembro de 2011

Na Fazenda da Pedra





Nessa Fazenda encantada
Lindos pomares eu vi,
Laranja lima dourada
Pelo Sol que brilha aí.


A mangueira carregada
De frutos grandes e belos
De cor rosa arroxeada
E por dentro amarelos.


As palmeiras, os coqueiros
A atraírem meu olhar,
E os cocos, dos primeiros
A agradar ao paladar.


E os outros frutos, bem
Verdes, carnudos, rugosos,
Eram goiabas, porém,
Ainda não ‘stavam gostosos.


Mas apelei ao Patrono
Que adoçasse os seus destinos.

Sei que estão no Outono,
É o tempo dos citrinos.


Voaram aves p’los ares!
Era hora do Cafezinho.
Abençoados pomares
Me encantaram no caminho…
 Maria da Fonseca