terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Ciranda



 Põe a tua mão na minha
E pra roda vem cantar,
Começa de pequenina
Até toda a gente entrar.


Precisa de ser gentil
E também saber amar,
Condição essencial
Pra na ciranda bailar.


Mas o que mais me comove;
‘Stando nós tão afastados,
Cada um na sua terra,
De corações tão chegados!


Ó ciranda, cirandinha,
Ó tão singela cantiga,
A inspirar os poetas,
Tão alegre, tão antiga.


Reunidos prò concerto
Desta noite de amizade,
Estão todos versejando
E cantando de verdade.

Maria da Fonseca


terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Dia dos Namorados




Foi dedicado ao afecto
Belo dia ensolarado
Que é o de S. Valentim
Pelos noivos ter casado.



Que linda rosa me deste,
Somos sempre Namorados.
Como posso amar-te mais
Se estão juntos nossos fados!



O que Deus ligou no céu
Ninguém pode desligar.
Há que anos destinados
Não te poderei deixar.



A bela flor ofertada
Em breve ela murchará
Ao contrário deste amor
Que eterno perdurará.



O meu voto para hoje,
O Dia dos Namorados:
Harmonia em todo o ano.
Todos sejam bem-amados!

Maria da Fonseca


sábado, 4 de fevereiro de 2012

No Parque do Estoril



A noite está agradável,
E é grande o movimento.
Há luzes por todo o lado,
E não se levantou vento.


Na árvore de copa espessa
Escondem-se mil pardais.
Demos por isso ao Sol pôr,
Regressaram dos quintais.


Voavam muito ligeiros,
Sem qualquer hesitação.
Agora estão a dormir
Nesta noite de verão.


O ruído das pessoas,
Que enchem a esplanada,
Embala o seu descanso,
Não os incomoda nada.


Mas, aos sábados à noite,
Acordam bem assustados.
Solta-se o fogo na praia,
Com desenhos encantados.


Rápidos os pardalitos
Já voam em debandada.
Brincadeira ruidosa,
Que espanta a passarada.

Maria da Fonseca


sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Apelo ao Menino Jesus




O Natal da minha infância,
O Natal do meu Menino,
Tão frágil, tão pequenino,
Santo Deus, a que distância!

 


E venceste e resististe
Como Filho que és do Pai!
Senhor Deus, acompanhai
Este mundo em que investiste.


Criador do Universo,
Da Eternidade sem fim,
Mandaste teu Filho afim
Pra excluir o controverso.


Nem mais lutas, nem mais guerra,
Nem palavras que magoem,
As gentes que se perdoem
E haja Paz em toda a Terra.


Sermos todos sempre unidos,
Nos amarmos como irmãos,
Filhos do Pai e cristãos
Solidários, destemidos.


O Nosso Jesus Menino,
Ano após ano a nascer,
Venha o mundo proteger
Pra todo o sempre, Divino.

Maria da Fonseca

domingo, 22 de janeiro de 2012

Lindos Dias de Janeiro





Os dias que maravilha!
Lindo o Sol no céu azul.
Tão pura e límpida a luz
Destes países ao Sul!


Despida das suas folhas,
Vive além a ameixieira.
E no ramo o melro pia
Pela sua companheira.


Vejo assim, com nitidez,
Seu esforço prà chamar.
Junta ao seu forte piado,
Suas penas a agitar.


- Não tem chovido em Janeiro, –
Clamam os agricultores.
Dizem ser ano de seca.
O Sol nimba as minhas flores.


E, mesmo em frente de mim,
Com toda a vivacidade
Dois pombos apaixonados
Fazem amor, de verdade.


O Inverno continua
Com este encanto sem par.
Só me custa e fico triste,
Quando o Sol se vai deitar.


Com a noite chega o frio.
À nossa respiração,
Na falta da fotossíntese,
Soma a da arborização...


É a hora do repouso
Pra todas as criaturas.
Faça Sol ou faça chuva,
Novo dia traz ternuras.


Os pardalitos alegres,
Quando espreito à janela,
Já brincam de ramo em ramo,
Na manhã húmida e bela.

Maria da Fonseca


quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

A Gatinha Preta


Já de manhã aí 'stavas
Neste inverno radioso,
Gatinha preta 'speravas,
Junto ao arbusto ramoso,



O calor do Sol mais rente
Próprio da estação do ano
Pra sentir teu corpo quente
Depois de um luar germano.



Continuavas mais tarde
Quando voltei a espreitar,
Tua posição "en garde"
E o Sol a aproveitar.



O dia está um encanto
Nos princípios de Janeiro,
Há lindeza que eu descanto
Brotando em cada canteiro.



O céu de um azul sem par,
De uma pura transparência,
Parece mais alto estar.
Respiro com apetência.



E a gatita mariola
Salta que nem uma seta
Sobre uma folha que rola
Ou a sombra que projeta.

Maria da Fonseca



terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Ao Desfazer do Presépio ( 7.01.2005)




                                           
                                Tu vives na minha casa,
Menino de terracota,
Em fino papel envolto
Pelas mãos de uma devota.


Por isso, estás aqui dentro,
Neste coração que Te ama.
Desejo, pra todo o sempre,
Que me guie a Tua chama.


E, ao desfazer do Presépio,
Não deixo de recordar,
Quantos precisam de Ti,
Que os venhas acompanhar.


Imensa foi a tragédia,
Pelo tsunami, gerada,
Que invadiu as praias de Ásia,
Deixando-a dilacerada.


Quanto horror, desolação,
Sofreram aquelas gentes.
Pereceram aos milhares,
Frágeis os sobreviventes.


As nações prestam auxílio,
Solidárias, pesarosas.
Acorrem a toda a pressa,
Organizações zelosas.


Tantos anjos, necessitas
De enviar, Jesus Amado,
Para acudir aos que choram
Neste Natal abalado.


Só assim Tu poderás,
Teus irmãos vir ajudar.
Neste Universo hostil,
Só Deus nos pode salvar!

Maria da Fonseca