domingo, 10 de junho de 2012

A Camões




Olhai o nobre Poeta,
A Lírica apaixonada
Duma alma inquieta
Da alma gémea afastada.

 
Combateu com galhardia
Usando a pena e a 'spada,
Da História fez Poesia,
Lutou pela terra amada.


E ao ilustre Português
Dedico este poema,
Lembrando mais uma vez
Seu sofrer, pobreza extrema.

 
Morreu co'a Pátria nessa hora
Mas Portugal renasceu!
Também 'speramos agora
Que nos ilumine o céu.

 
E o Poeta celebrado
Da lei da morte remido
Continue a ser cantado
Com profundo amor sentido!

Maria da Fonseca



quinta-feira, 7 de junho de 2012

A Cabra o Carneiro e o Cevado - Poema de João de Deus



João de Deus
(1830 -1896)



A Cabra o Carneiro e o Cevado

  Uma vez
Uma cabra, um carneiro e um cevado
Iam numa carroça todos três,
Caminho do mercado...
Não iam passear, é manifesto;
Mas vamos nós ao resto.
Ia o cevado numa gritaria,
Que a cabra e o carneiro
Não podendo na sua boa fé
Acertar com a causa do berreiro,
Diziam lá consigo:
Que mania!
Cá este nosso amigo
E companheiro
Por força gosta mais de andar a pé!...
o caso é
que o cevado gritou tanto
ou tão pouco
que o carroceiro
perde a cabeça
vai como louco
saca o foeiro
e diz:
homessa !
eu inferneiras tais não as aturo
ouvir berrar há tanto tempo é duro
o senhor não vê que esta não chora
nem ao menos
as lágrimas lhe saltam
o que é tão natural
numa senhora
goelas não lhe faltam
e de ferro
o ponto é que ela as abra
mas é cabra;
teve outra criação
não dá alguma sem alguma razão
e julga que este cavalheiro é mudo?
tem propósito é sério é sisudo!
às vezes, dá um berro que estremece tudo
mas é só quando é preciso
tem juízo
miolo!
miolo... exclama o outro!
pobre tolo!
ele supõe que o levam à tosquia
e por isso nem pia!
e esta, pensa que vai de carro ao tarro
vazar a teta
pobre pateta
mas porcos não se ordenham
cevados não se ordenham
nem tosquiam
demais sei eu
demais sei eu
o fim com que se criam
por isso grito e gritarei
do fundo da minha alma
até à morte
aqui d'el-rei aqui d'el-rei
gritava como um homem muita gente
não discorre com tanta discrição
infelizmente
quando o mal é fatal
a lamuria que vale
que vale a prevenção
mais vale ser insensato
que prudente
o insensato
ao menos
menos sente
não vê um palmo adiante do nariz

vê o presente!

está contente!
é mais feliz!!

João de Deus


sexta-feira, 1 de junho de 2012

Dia da Criança



Criança, eis o teu Dia,
A todas vós dedicado,
Mas na verdade, queridas,
Tudo pra vós foi criado.


Assim Deus tudo vos dá
E anjos põe a vosso lado
Pra vos olhar e guardar
No mundo que vos foi dado.


Vossa Fé que é também nossa
Seja a de todo o Universo
E também seu ambiente
Seja menos controverso.

 
Luz, saúde, alegria,
Paz, amor, muita ternura,
Tudo isso eu vos desejo
Num futuro de ventura.

Maria da Fonseca

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Maio Volúvel


foto de J. Bastos Baptista


Por entre as nuvens pesadas
Raiou o Sol e a alegria
Brilharam folhas molhadas
Pela chuva que caía.

 
Casal de melros bulia
Por um niquito de pão
Pelos vistos discutia
A saltitar pelo chão.

O céu azul alternava
Com as nuvens bem cinzentas
Conforme o vento soprava
Mexendo as folhas sedentas.

O arco-íris não vi
Decerto estaria lindo
Mas a chuva que senti
Fez com que eu fosse seguindo.

E os meus olhos seduzidos
Fixaram-se noutros sóis
Nas árvores refletidos
Como em espadas de heróis.

Meu Maio vai-se vestindo
De nova e verde folhagem
Diletas plantas florindo
A transformar a paisagem.

Maria da Fonseca


sábado, 19 de maio de 2012

Amarílis Rosado


foto de J. Bastos Baptista



Pra cá vieste em botão
Junto com os teus irmãos,
Curiosa eu espreitava
Esta prenda pròs cristãos.

Foste o último a abrir
Mas o mais belo também,
Natureza te tratou
Com seu carinho de mãe.

Gosto de te olhar assim
Q'rido amarílis rosado,
Apreciar teu encanto;
Sinto-me bem a teu lado.

Brilham com o Sol da tarde
Tuas pétalas sedosas,
Resplendentes, realçando
Gotículas preciosas.

Fazem lembrar lindas sedas
Dos vestidos das atrizes
Em suas festas, radiosas,
Com nuances e matizes.


Um tecedor inspirado
Te admirou de certeza,
E sonhou, nos seus tecidos,
Copiar tua beleza.

Formosura imaculada,
Obra de Deus Criador,
Chegaste na primavera
Com o Sol prometedor!

Maria da Fonseca


segunda-feira, 14 de maio de 2012

Em Fátima




Ai que saudade, Senhora,
De estar onde Tu estiveste.
Ajoelhar na Capela
E rezar como quiseste,
Acendendo a minha vela.

Nossa Senhora de Fátima,
Eu Te quero como filha,
Como Mãe me tens tratado.
Orienta a minha trilha
E afasta-me do pecado.

Saudade de quem venera
E se entregando, confia
Que sempre está protegida,
Quer de noite quer de dia,
Ao longo de toda a vida.

Tanto desejo viver
Contigo no coração!
Senhora do meu sentir,
Tende de mim compaixão,
Abençoa meu porvir.

Creio ir ao Teu encontro
Na minha hora derradeira.
Ver-Te no céu resplendente
Como outrora na azinheira
Te mostraste, ó Mãe clemente!

Maria da Fonseca


sábado, 12 de maio de 2012

A Minha Mãe



Ao observar-me no espelho
Vejo os teus traços, Mãezinha,
Ouço ainda o teu conselho,
Tua alma junto à minha.

Da minha face, o oval
Lembra-me teu rosto lindo,
Teu sorriso maternal
Os teus olhos colorindo.

Enquanto os meus são castanhos,
Os teus eram ‘sverdeados,
Mas meu cabelo que apanho
Teve cachos ondeados.

De ti herdei as feições
Que recordo tão saudosa.
Sei que viveste aflições
E mas poupaste, ansiosa.

Ao teu coração bondoso
Presto singela homenagem.
Doou-me amor precioso
E deu-me sempre coragem.

Maria da Fonseca