segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Santíssimo Milagre

 
 




Há muitos anos, Amigos,
Em Santarém, terra amada,
Vivia uma certa bruxa,
Em feitiços, afamada.
 
Uma sofrida mulher,
Maltratada p'lo marido,
Procurou a feiticeira
Pr'um remédio decidido.
 
A bruxa pediu, então,
Uma hóstia consagrada.
A pobre cristã partiu
Pela ilusão criada.
 
Na Igreja de Santo Estêvão,
Hesitante, ela entrou,
E tendo-se confessado,
Em seguida comungou.
 
Tirou da boca a Partícula
Com o máximo cuidado,
E embrulhou-a no véu.
O Senhor seja louvado!
 
Pra casa da benzedeira
Ia depressa a correr,
Mas sem que desse por isso,
Do véu, sangue, ia a verter.
 
Chamada a sua atenção,
A casa logo volveu,
E numa arca fechada
A Hóstia Santa escondeu.
 
Tarde o marido voltou.
Alta noite acordaram
E viram resplandecer
Toda a casa que fundaram.
 
Como tinha procedido,
A mulher então contou.
Co'o que estava acontecendo,
Arrependida, pasmou.
 
Na arca havia um mistério
A espargir raios de luz!
O casal ajoelhou,
Adorando a Jesus.
 
Logo que dia se fez,
Foi o Pároco informado,
E acorreu Santarém
A ver o inesperado!
 
Foi a Sagrada Partícula
Levada em Procissão
Prá Igreja de Santo Estêvão,
Sempre exposta à adoração.
 
Primo em custódia de cera,
Num sacrário especial.
Mais tarde, impõe-se o Milagre
Em âmbula de cristal.
 
Do Santíssimo Milagre,
É chamado o Santuário,
Onde à Missa assisti
E orei ante o relicário.
 
Maria da Fonseca






sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Canção Triste

 
 
 
 
 
Depois da chuva, eu seguia
Apressada, saltitante.
Levava também receio
Da tempestade distante.
 
Porém, como por encanto,
Ergueu-se no espaço a voz
De uma estranha mulher,
Cantando pra todas nós.
 
Uma bela melodia
Soava no ar lavado.
Era apelo dolorido
Dum coração magoado.
 
“ Dê-me trabalho, Senhora,
Que eu não quero roubar…
Tenha dó desta infeliz,
Preciso de trabalhar.”
 
Dotada de dom sem preço,
Encheu de magia a praça,
Provando assim possuir
Algo mais do que a desgraça.
 
À procura de moeda,
Eu, no bolso remexi,
De muito menor valor
Que o momento que vivi.
 
Ao passar pela mulher,
Estendi-lha, envergonhada,
A magia da canção
A perder-se, perturbada…
 
Maria da Fonseca


sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Para ti, Amiga

 

 
 
 
Nosso planeta sem alma,
Com forças tão desastrosas!
Entrega-te a Deus, refúgio
De nossas almas ansiosas.

 
Mas sei que já o fizeste,
A rogar misericórdia
Pra Seus Filhos sofredores,
Nesta Terra em discórdia.
 
 
Os que vivem são tão frágeis!
A fúria dos elementos
Avança, destrói, transforma
Os caminhos em tormentos.
 
 
E só as almas resistem
À investida das chamas,
Dos ventos e das marés,
A destruir o que amas...
 
 
Ó Jesus acompanhai-nos!
Aos vivos valei na vida
E aos que quiserdes levar,
Dai a Graça merecida.
 
Maria da Fonseca


terça-feira, 30 de outubro de 2012

A Fuga do Papagaio

 
 




À querida amiga Irene
O papagaio fugiu.
Tem ainda uma gatinha
Que por isso se afligiu.

 
A janela foi aberta,
Porque a tarde estava quente.
E a ave partiu feliz,
À aventura, inocente!

 
Sua companheira, a gata
Não quer aceitar comida.
Ainda só com três meses
Já tem desgostos na vida.

 
Para achar o papagaio,
Minha Amiga tudo fez.
Correu ruas e quintais,
E fê-lo mais de uma vez!
 

Coberto de verdes penas,
Muito alegre e palrador,
Decerto que, quem o viu,
O achou encantador.

 
Esta amizade engraçada,
A gatinha vai esquecer.
Só podia ser possível,
Por tão pequenina ser!
 
Maria da Fonseca


domingo, 28 de outubro de 2012

Trocadilhos

 
 
 
 

Trocadilhos, trocadilhos,
Na Internet cirandar,
Quero trocar co'os amigos,
A sorrir e a folgar.
 
E, as minhas redondilhas
Da primavera, enviar,
Às minhas q'ridas amigas
Prò dia a dia enfeitar.
 
Sol, azul,gorjeios, aves,
Convosco trocadilhar,
Mais o aroma das flores,
Todo o bem compartilhar.
 
Trocadilhos, redondilhas,
Amizade a viajar
Para o Sul e seus Poetas,
Que vivem além do mar.
 
Maria da Fonseca

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

O Piar do Pardalinho

 
 

A esta hora da tarde,
Como pias pardalinho!
Bem te vi hoje brincar
Na água do regatinho.
 
Já voas todo ligeiro,
E somes entre a folhagem
Da árvore mais copada,
Desta tão linda paisagem.
 
E voltas com alegria,
No meio dos teus iguais,
A pousar neste telhado,
Junto com outros pardais.
 
Do belo Sol derradeiro,
Sentes ainda o calor.
Em conjunto com teu bando,
Chilreias cheio de ardor.

 
Na árvore que é teu abrigo,
Com centenas te recolhes.
Pardal da minha afeição,
Singelo viver tu escolhes!

 
Amanhã não te verei,
Entre muitos te perdi,
Mas ouvirei outro pio,
Pensando que vem de ti.



Maria da Fonseca

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Meu Outono Disfarçado

 

 
 
 

Meu outono disfarçado!
Rosas, arbustos, pardais
E campainhas azuis
Enfeitam nossos quintais.
 
Bela a luz que o Sol nos dá
Tudo é cor, quanta beleza!
O verde orla meu caminho.
Adoro a mãe Natureza!
 
Eu, panteísta não sou,
Mas, eterna fascinada.
Anseio ser imortal
Pra viver apaixonada!
 
Maria da Fonseca