segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Endireitai o Caminho do Senhor

 
 
 
 


Endireitai o caminho!
Vales sejam alteados
E os montes aplanados
A preparar o caminho.

 
O caminho do Senhor
Com devoção percorrer,
Para a Salvação viver
Em Cristo com todo o Amor.

 
Voz que clama no deserto,
Palavra de João Baptista
Por Isaías prevista.
Corações que andais tão perto!

 
E Deus enviou Jesus,
Cumpriram-se as profecias,
Nasceu assim o Messias
Co'o fulgor da Sua Luz.

 
O Natal comemoramos
Com ternura pelo Menino,
De Deus, Filho pequenino,
E por isso o adoramos.
 
 
O caminho não é suave,
Não foi pra Ele, nem ninguém.
O caminho é pra Belém,
Meu Jesus o desagrave.
 
Maria da Fonseca


sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Gaivotas ao Sul

 
 



Gaivotas da costa sul,
Deste meu amado mar,
Lindas, brancas e felizes,
Voando pra me encantar.
 
Saudade, trazia tanta,
De vos rever, figuradas,
No suave azul do céu,
A pairar, iluminadas.
 
Na rocha do miradouro,
Encontro outras por perto
Mirando a praia e o mar,
Seu apetite desperto.
 
Até na minha varanda,
Penas brancas eu achei.
Como sabeis que vos quero,
Se ainda não vos contei?!
 
Alegres, puras, sadias
Por todo o lado voais.
A linda Praia da Rocha
Com muito garbo, enfeitais.
 
Maria da Fonseca


terça-feira, 4 de dezembro de 2012

À Entrada de Casa

 
 


Teu nome, eu não conheço,
Mas perto de mim floris.
Olho-te com muito apreço,
E sinto que me sorris.

 
Como duma mariposa
De asas tom acastanhado
Surgem três pétalas rosa
Em contraste bem marcado.

 
No outro dia não 'stão,
Por isso não as encontro,
Mas à tarde voltarão,
Dar-se-á nosso recontro.
 
 
Um dia destes 'spreitei
As folhas com suavidade,
Pequenos botões detetei
Com recato e humildade.

 
Não são as mesmas florzinhas
Que vejo em dias seguidos
Na ligação das folhinhas,
Mas os botões já floridos.

 
O teu nome não conheço,
Vives à entrada pra casa,
De te olhar nunca me esqueço,
Bela planta que me apraza!
 
 
Maria da Fonseca 


sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Armistício

 



O cessar-fogo assinado.
Volta a Paz aos vossos lares
Neste outono angustiado,
Projéteis cruzando os ares?!
 
Mortos, f'ridos, que tristeza,
Nessas terras tão amadas
Pr'onde Cristo com certeza
Fez as suas caminhadas.
 
Sempre o risco continua
Na chamada Terra Santa!
Há que anos se acentua
Tão longa guerra que espanta.
 
Sofrem na Faixa de Gaza
Com os bombardeamentos,
E a minha alma se abrasa
Quando escuto seus lamentos.
 
E também Israel chora,
Vítima de atentados
Sucedendo a toda a hora,
Além dos misséis chegados.
 
Senhor Deus, misericórdia,
Protegei o nosso irmão,
Fazei que cesse a discórdia,
Não haja mais discussão.
 
E que a Paz seja na Terra,
Unidos todos se amem,
Não se faça mais a guerra,
O Natal perdure. Amém!
 
Maria da Fonseca


sábado, 17 de novembro de 2012

Belo Outono Enfeitado

 
 



Aquela árvore me encanta
Neste outono que revive.
Evoluis em cada dia
Como tudo quanto vive.
 
De todas a mais bonita,
Dum suave colorido
São tuas folhas fulgentes,
À luz dum Sol retraído.
 
Entre o verde e o amarelo
Todos os matizes tens,
Mas quando o vento te agita
'Inda as verdes tu reténs.
 
Voam logo as amarelas,
Caem no extenso relvado,
Espalhadas que nem flores.
Belo outono enfeitado!
 
Em breve as verdes secam
E cairão de certeza.
A árvore perde as folhas
E a relva ganha lindeza.
 
Fazem lembrar margaridas
Na próxima primavera.
Mas nessa altura a árvore
As novas folhas espera!
 
Maria da Fonseca


segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Santíssimo Milagre

 
 




Há muitos anos, Amigos,
Em Santarém, terra amada,
Vivia uma certa bruxa,
Em feitiços, afamada.
 
Uma sofrida mulher,
Maltratada p'lo marido,
Procurou a feiticeira
Pr'um remédio decidido.
 
A bruxa pediu, então,
Uma hóstia consagrada.
A pobre cristã partiu
Pela ilusão criada.
 
Na Igreja de Santo Estêvão,
Hesitante, ela entrou,
E tendo-se confessado,
Em seguida comungou.
 
Tirou da boca a Partícula
Com o máximo cuidado,
E embrulhou-a no véu.
O Senhor seja louvado!
 
Pra casa da benzedeira
Ia depressa a correr,
Mas sem que desse por isso,
Do véu, sangue, ia a verter.
 
Chamada a sua atenção,
A casa logo volveu,
E numa arca fechada
A Hóstia Santa escondeu.
 
Tarde o marido voltou.
Alta noite acordaram
E viram resplandecer
Toda a casa que fundaram.
 
Como tinha procedido,
A mulher então contou.
Co'o que estava acontecendo,
Arrependida, pasmou.
 
Na arca havia um mistério
A espargir raios de luz!
O casal ajoelhou,
Adorando a Jesus.
 
Logo que dia se fez,
Foi o Pároco informado,
E acorreu Santarém
A ver o inesperado!
 
Foi a Sagrada Partícula
Levada em Procissão
Prá Igreja de Santo Estêvão,
Sempre exposta à adoração.
 
Primo em custódia de cera,
Num sacrário especial.
Mais tarde, impõe-se o Milagre
Em âmbula de cristal.
 
Do Santíssimo Milagre,
É chamado o Santuário,
Onde à Missa assisti
E orei ante o relicário.
 
Maria da Fonseca






sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Canção Triste

 
 
 
 
 
Depois da chuva, eu seguia
Apressada, saltitante.
Levava também receio
Da tempestade distante.
 
Porém, como por encanto,
Ergueu-se no espaço a voz
De uma estranha mulher,
Cantando pra todas nós.
 
Uma bela melodia
Soava no ar lavado.
Era apelo dolorido
Dum coração magoado.
 
“ Dê-me trabalho, Senhora,
Que eu não quero roubar…
Tenha dó desta infeliz,
Preciso de trabalhar.”
 
Dotada de dom sem preço,
Encheu de magia a praça,
Provando assim possuir
Algo mais do que a desgraça.
 
À procura de moeda,
Eu, no bolso remexi,
De muito menor valor
Que o momento que vivi.
 
Ao passar pela mulher,
Estendi-lha, envergonhada,
A magia da canção
A perder-se, perturbada…
 
Maria da Fonseca