sábado, 28 de setembro de 2013

Em Noite de Luar

 
 
foto de João B. Baptista



Sempre te canto co'amor,
Meu mar para o Sul virado,
Desde a hora do alvor
Até o Sol declinado.

No v´rão és encantamento
Brilhando azul, ondulante.
Velas deslizam co'o vento,
Meu coração radiante.

Mas se te vejo ao luar
Como na noite passada,
Não desvio o meu olhar
Da tua água prateada.

 
Tens algo de inesquecível
Que extasia e atrai.
A Lua cheia movível
A alindar-te sempre vai.

 
E a cidade iluminada
Maravilha quem a admira.
A baía arredondada
Sob a forma de uma lira.

Desejo fixar a imagem
Do momento de magia.
Poder lembrar a paisagem
Noutra hora, noutro dia...
 
Maria da Fonseca




quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Incêndio na Floresta


 



Os fogos, calamidade
Que invadiu nosso País
Num verão sem humidade,
Ardente, seco, infeliz.


Dantescas são as imagens
Que nos mostram na TV,
Chamas a envolver paisagens
Que apavoram quem as vê.


Já faleceram bombeiros,
Outros 'stão em grave estado,
Jovens heróis pioneiros
Onde o fogo tem lavrado.


O combate é continuado,
Carros da bomba, aviões,
A água em vapor formado,
A esconder as regiões.


Vendo as chamas ceder,
Meus olhos de chorar, param.
Se vêm gentes sofrer
Permanecem e alagam.


Nossa Senhora valei
A este Portugal ardido
E aos que lutam protegei
Fazendo a Deus o pedido!
 
Maria da Fonseca

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Vista de Verão

 
 
 
Foto de Maria João Costa
 



Arves que crescem sem ruído
Tão perto do nosso lar,
Só ao olhá-las revelam
Sua beleza sem par.

Lindas as tílias, os choupos
De ramos fartos, frondosos,
Já a macieira com frutos
Que serão apetitosos.

 
E outras de menor porte
Também o jardim enfeitam,
Olaias e abrunheiros
A nossa morada aceitam.

 
Suas folhas sem parar
Bailam ao sabor da brisa,
E com o trinar das aves
Nosso sentir suaviza.

 
O Sol é todo alegria
Neste verão assim quente
A matizar em redor
Desde o nascente ao poente!
 
Maria da Fonseca


terça-feira, 30 de julho de 2013

O Nosso Verão

 
 
 

Aí temos nosso v'rão
Aquele que é português,
Beija ao abrir da janela
A prometer ser cortês.
 
 
O azul dá gosto olhar,
O verde está mais feliz,
No meu sorriso, amor,
O quanto sempre te quis.
 
 
Os aloendros encantam
Belos, fartos e rosados
Ao longo da avenida,
Mas só eles são fadados.
 
 
Outras flores não se vêm,
O inverno não deixou,
Foi comprido, exagerado,
O verão não preparou.
 
 
Mas ele 'stá aí, louvado.
Os melros em sintonia
Cantam sagazes, contentes,
Na atmosfera em harmonia.
 
Maria da Fonseca


sexta-feira, 26 de julho de 2013

A Lenda de S. Vicente

 
 

Reza a lenda que Vicente,
Feito mártir em Valência,
Suas relíquias levaram
Com devoção e prudência.
 
Seu destino, a nossa costa,
O cabo a que deu o nome,
Nesse Algarve muçulmano,
Até hoje de renome.

 
Assim nosso Rei primeiro,
Logo que foi sabedor,
Mandou vir rumo a Lisboa,
O corpo do Protector.
 
Em toda a viagem, contam,
Steve o Santo acompanhado
Por negros corvos atentos,
Não saindo do seu lado.
 
E quando a barca ancorou,
Uma procissão ‘sperava,
Levando então S. Vicente
Para a Sé que o aguardava.
 
O filho de Henrique, Afonso,
Tomou-o como Patrono,
A quem dedicou Lisboa
Onde dorme eterno sono.
 
 
No distinto brasão de armas
Desta tão leal cidade
Vêm-se os corvos e a barca,
Símbolo da Cristandade.
 
Esta a lenda curiosa
Pra todo o sempre presente
Na nossa amada Lisboa.
- Os corvos e S. Vicente -
 
Maria da Fonseca


domingo, 21 de julho de 2013

Laranjeira do Jardim

 




Não é altura da poda
Laranjeira do jardim,
Este v'rão chegou mais tarde,
Verdes teus frutos mirim.

Só dois citrinos maduros
Redondos, alaranjados,
Mas 'inda botões a abrir
Que espero desabrochados.

E os pequeninos progridem
Com este calor que aperta,
Alguns a amarelecer
Enquanto outros desperta.

 
Não precisas muito d'água
Mas sim de Sol com fartura,
Pra me dares o prazer
De te admirar com ternura.

 
Virá a hora da poda,
Cortar os ramos inúteis
Prás forças recuperares
E tornar teus ramos úteis.

 
Espero que assim será,
Enfeites a natureza
A colorir o meu mundo,
Mostrando a tua lindeza.
 
Maria da Fonseca