Está um inverno atroz,
Sopra o vento de rajada,
Invade o mar cada foz
E a chuva é desordenada.
Sucedem-se as tempestades,
Já de longe nomeadas,
Com quanta despiedade
Nossas terras maltratadas!
As ondas fortes, imensas,
Varrem todo o litoral,
A destruírem, propensas,
As costas de Portugal.
Chuvas e ventos adversos
Destelham casas modestas,
Os campos ficam submersos,
Árvores caem funestas.
Há neve nas nossas serras,
Caminhos interrompidos,
Percalços em várias terras,
Tementes, os desvalidos.
Triste tem sido a invernia,
Célere seja a espera
P'la beleza e calmaria,
Co'a vinda da primavera.
Maria da Fonseca






