domingo, 20 de abril de 2014

Ressurreição do Senhor

 
 
 



Tão triste, todos chorámos
A passada Sexta-Feira.
Todos nós A venerámos,
Tua Hora Derradeira!

Hoje a Esperança renasceu,
O Sol a dar seu sinal,
Nossa alma se comoveu
Ante a Vigília Pascal.

Como há tanto tempo ido
Os três dias decorreram.
Teu Corpo fora perdido
Quando por Ele acorreram.

Madalena mui chorava,
Roubaram o Seu Senhor.
Nem sentiu quem a chamava,
Toda entregue à Sua Dor.

Foi Jesus ali presente,
Ressuscitado, que fala!
Rezou a Igreja oferente,
Sua alegria não cala.

Aleluia! Páscoa Santa!
Está connosco o Senhor!
E nosso coração canta
Pelo Seu Divino Amor.
 
Maria da Fonseca


terça-feira, 15 de abril de 2014

Como a Pomba

 
 
 
 
Como a pomba que tu vês,
Toda de branco vestida,
Matando a sede, elegante,
No regato da Avenida.
 

Sua cauda, armada em leque,
Tem formosa pena preta.
Tu sabes que é sempre a mesma,
Linda pomba lisboeta.
 

Por perto um pombo arrulha,
Atento, enamorado.
Porém, retira-se a pomba
Sem olhar o apaixonado.
 

Ontem o pombo atrasou-se
E a pomba branca, nervosa,
Dum lado, andava, pró outro,
Inquieta, receosa.
 

Tal e qual, quando não vejo
Meu amor perto de mim,
A pomba atentava ao longe,
Procurando-o no jardim!
 
 
 
Maria da Fonseca


domingo, 6 de abril de 2014

Na Primavera

 
 
 
 
 
 
 
Sol e chuva a alternar
Neste sábado feliz.
Nosso clima a amornar.
No jardim, lindo matiz.

Verde relva colorida
Por espontâneas singelas,
Viva, farta, acontecida,
Ao olhar pelas janelas.

Enquanto as flores se movem
Ao sabor da viração,
Os meus olhos se comovem
Ao ver o melro no chão.

A buscar o seu sustento
Por entre a folha crescida,
Sinto que apesar de atento,
Não encontrará comida.

Costuma saltar ligeiro,
Quando se apara a folhagem,
E correr, sendo o primeiro,
A aproveitar da vantagem.

Mas com o corte fatal
As florzinhas partirão.
Bem pouco tempo afinal
O belo Sol louvarão.

Mãe natureza é assim
Neste cantar de poeta.
Nem mesmo no meu jardim
A harmonia é completa!
 
Maria da Fonseca


sábado, 22 de março de 2014

Sinais da Primavera

 
Sentia muita saudade
Por não vos ter visto ainda,
Perder tão boa amizade,
Temi pela vossa vinda.

Mas hoje tive a alegria,
Ao abrir minha janela,
De rever essa magia
Da vossa cor amarela.

De corolas bem erguidas
Já p'lo Sol iluminadas
'Stão as florinhas nascidas,
No relvado espalhadas.

Espontâneas e mimosas
Louvam a mãe natureza,
Vivas, puras, graciosas,
Encantam pela lindeza.

Stá a chegar a primavera
E o inverno a sair,
De melhor tempo à espera
'Stão as plantas pra florir.

Amarelas e branquinhas
Embelezando a contento,
Algumas mui rasteirinhas,
Outras dançando co'o vento.

Atraídas pelo Sol,
Rodam fieis, diligentes,
E à tarde, ao arrebol,
Recolhem-se reverentes.

E não temo mais perder
Vossa modesta presença,
Sei que o vosso bem-querer
Se irmana com a minha crença.
 
Maria da Fonseca

domingo, 9 de março de 2014

O Cantar dos Passarinhos

 
O passarinho pousou
Na árvore ainda com folha,
Deu às asinhas, voou,
Não satisfeito co'a escolha.
 

Saltitou de ramo em ramo
Na árvore que elegeu,
Aquela que menos amo,
Porque as folhas já perdeu.
 
 
Baloiça feliz, contente,
Como criança arteira,
Piando amistosamente
A chamar a companheira.
 
 
S'rá o mesmo que cantou
Quando de casa saímos?!
Um bom dia desejou,
Foi o que nós intuímos.
 
 
Nesta estação tão severa
Já os passarinhos cantam,
Prenúncio da primavera,
É assim que nos encantam!

Maria da Fonseca




sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Carnaval no Rio

  

 
 
Sempre o calor tropical
Nesta festa esfuziante,
Apesar de já ser noite
E a chuva uma constante.

 
A desfilar na Avenida,
Graça, luxo, sedução.
Cada uma das Escolas
Busca maior sensação.

 
A luta não vai ser fácil.
Sambam as belas morenas
Em excitante frenesim,
Brilhando como sirenas.

 
A música jamais para,
O seu ritmo é sempre igual.
O samba enredo impera
Na atração do Carnaval.

 
Muito ouro, prata e plumas,
Aos milhares as fantasias!
Desejam ser os melhores
Na expansão das alegrias.

 
Vibra, frente a cada Escola,
A multidão delirante.
Desfilam todos cantando,
Mais magia irradiante!
 
As baianas como rodam,
Vestidas de “dama antiga”!
E a porta-bandeira dança,
Rodopia sem fadiga.
 
 
O mestre-sala a seu lado
Não termina o seu sambar.
E com finos ademanes
Reverencia o seu par.
 
Seguem alas varonis
Dos autores desta lindeza.
Marquês de Sapucaí
Encanta com a surpresa.

 
Feéricos vão os carros,
Enormes, estrelejados.
Aquecem os tamborins,
Com ímpeto, batucados.

 
Anda até fogo no ar,
Espanto, empolgamento.
Os foliões da Avenida,
Em contínuo movimento.
 
 
Ensaiaram todo o ano
Pra no desfile brilharem,
E a sua Escola de Samba,
Briosos, representarem.
 
 
Pretendem ser os primeiros,
Ganhar uma nota dez.
O Carnaval carioca
Domina de lés a lés.
 
  
Considera quem o vê,
Do mundo inteiro o maior.
É difícil de escolher.
Que ganhe a Escola melhor!
 
Maria da Fonseca
 
 

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Invernia


 
 
 
Está um inverno atroz,
Sopra o vento de rajada,
Invade o mar cada foz
E a chuva é desordenada.
 

Sucedem-se as tempestades,
Já de longe nomeadas,
Com quanta despiedade
Nossas terras maltratadas!
 
 
As ondas fortes, imensas,
Varrem todo o litoral,
A destruírem, propensas,
 As costas de Portugal.
 
 
Chuvas e ventos adversos
Destelham casas modestas,
Os campos ficam submersos,
Árvores caem funestas.
 
 
Há neve nas nossas serras,
Caminhos interrompidos,
 Percalços em várias terras,
Tementes, os desvalidos.
 
 
Triste tem sido a invernia,
Célere seja a espera
P'la beleza e calmaria,
Co'a vinda da primavera.
 
 
Maria da Fonseca