sábado, 11 de outubro de 2014

Os Pirilampos

 
 




As estrelas estão no céu,
Eu sinto-me arrefecer.
O clima é de primavera,
Vai longe o entardecer.

 
O meu marido adorado
Iluminou a janela.
Atravessei o jardim
Em harmonia singela.
 
 
Mas, sobre a relva escura
Noto algo diferente,
Belos salpicos de luz
Dum verde fosforescente.
 
 
-Só podem ser pirilampos!
E procuro, admirada,
Os insetos pequeninos
Desta noite encantada.

 
Porém só luzinhas verdes
Aparecem à distância,
Como pedacinhos de astros,
Dispersos com elegância.
 
 
Chego a casa satisfeita
Com a imagem que vi,
E agradeço ao meu Bom Deus
A magia que senti.
 
Maria da Fonseca






sexta-feira, 26 de setembro de 2014

A Nossa Senhora




Na capelinha das aparições
Ajoelhada, eu rezo à Senhora,
Com muita Fé, as minhas orações,
Pela humanidade sofredora.

 
Desde que nasci, eu fui protegida,
Em corpo e alma sempre abençoada.
Como teria sido a minha vida
Se à Senhora não fora confiada?

 
Ao tempo também houve fomes, guerras,
Crises, epidemias, acidentes...
Agora destroem lares e terras
Dos seus irmãos, em lutas permanentes.

 
Desdizem o seu próprio pensamento
A agredir 'inda mais nossa cultura.
E as gentes propagam seu lamento
Perante autores de incrível loucura.

 
Recolhida, peço a Nossa Senhora
Que proteja e guie as gerações,
Junto a Deus seja a conciliadora.
A Paz viva em todos os corações!
 
 
Maria da Fonseca


sexta-feira, 12 de setembro de 2014

No Jardim do Éden

 
 




Se a esplanada me encanta,
O jardim é admirável,
Exótica cada planta
No canteiro desejável.
 
 
Cobrir do Sol, quem se senta,
Dos guarda-sóis, a missão,
Bebida que dessedenta,
Pedir rápido ao garção.
 
 
De verga envernizada,
Eu escolhi a cadeira,
Donde desfruto, sentada,
Observar cada palmeira.
 
 
Os arbustos matizados
Do verde ao amarelo
Pelo jardim espalhados
Atendem ao meu anelo.
 
 
A escova-de-garrafa,
De origem australiana,
Premeia o que a fotografa
Co'uma linda flor ufana.
 
 
Este jardim de beleza
Ao do Éden eu comparo,
Quer por sua singeleza
Quer p'lo ambiente claro.
 
 
O livro já tinha eu lido
Há alguns anos passados,
E em harmonia vivido
Momentos sempre agradados



a) tarde de verão no Estoril Garden (2014)
 
Maria da Fonseca


segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Palavras

 




Quantas palavras bonitas
A nossa língua possui,
Quer faladas ou escritas,
Sempre o sentir as inclui.

 
O escritor as faz brilhar
Em narrações criativas,
O poeta as quer cantar
Em estrofes exclusivas.

 
Simples, ágeis, coloridas
Descrevendo a natureza.
Outras intensas, sentidas
Em memórias de grandeza.
 
 
Velas vogando no mar
No animado verão,
O passarinho a piar
Faz jus à inspiração.
 
 
E as palavras seguem breves,
Carinhosas, radiantes,
Algumas 'inda mais leves,
Delicadas e tocantes.
 
 
Assim flui a língua amada,
Orgulho de todos nós,
Famosa e bem tratada
Desde o tempo dos avós.
 
Maria da Fonseca


quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Tarde de Agosto

 
 
 

Agosto entrou sem calor,
Por aqui até choveu,
Mas não foi desconfortável
Para quem o recebeu.


A temperatura amena
Agradou ao ser humano,
E a água essencial
Regou as plantas sem dano.
 

O Sol tenta aparecer.
Seja o dia promissor
Neste verão menos quente.
Vou sair com meu amor.
 

Iremos pois de mão dada
Bem mesmo ao cair da tarde.
A luz do Sol a refletir
Enquanto o poente arde.


O ar leve, apetecível,
Soprará do rio Tejo,
E a sua transparência
Tornará lindo o que vejo.

 
 
Admiraremos as flores
Suspensas de arves copadas,
E com fruto, os abrunheiros
De folhas acastanhadas.

 
Buganvílias mimarão
A rua meio deserta,
Os pássaros piarão
Na sua morada certa.
 

Voltaremos para casa
Numa perfeita harmonia.
Eu, feliz, pensando em ti,
Sempre a minha companhia.
 
Maria da Fonseca

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Sobre uma Flor...

 
 
 


Não me parece viável
Colher a flor anilada,
Que permanece amável,
Suspensa de uma ramada.

 
Ao longe é como uma rosa,
Mas se a posso ver de perto
É ainda mais formosa,
Cacho de flores aberto.

 
Aplicá-la no poema
É pois despropositado,
Perder-se-ia o meu tema,
Antes de o ter terminado.

 
Em breve ela murcharia.
Dar-me-ia tal desgosto,
Que presto eu deixaria
De a cantar, a meu gosto.
 

Assim, ainda a verei
Enquanto o v'rão permitir,
Da janela a espreitarei
Entre irmãs a competir.
 
Maria da Fonseca


terça-feira, 15 de julho de 2014

Flores Silvestres

 
 

As florzinhas amarelas,
De corolas pequeninas,
Surgem na berma, singelas,
Alegres que nem meninas.

  
Outras de hastes flexíveis
Dançam ao sabor do vento,
Delicadas e sensíveis,
Apelam ao sentimento.

  
Há também as aniladas,
Nova pose, mais perfeitas,
Parecem até plantadas
Por jovens mãos escorreitas.

 
Na verdade são silvestres,
O Senhor, seu jardineiro,
Espalha as flores campestres
A enfeitar o mundo inteiro.

 
Enquanto O puder louvar
Pelos dons da Criação
Nunca O deixarei de amar
E rezar minha oração.
 
 
Assim ao subir a escada
A dar-me o vento no rosto,
Sinto-me mais animada,
P´la vida tenho mais gosto!
 
Maria Fonseca