quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Lua Brilhante


 
 
A Lua cheia aparece
Por detrás do prédio em frente,
Bela, redonda acontece,
Brilhando que nem presente.

 
A seguir sobe no azul,
Tornando-se mais pequena,
E inflete para o sul,
Prateada e serena.
 
 
Mas, se mudo de janela,
Vejo-a noutra posição,
Nem desvio os olhos dela,
Como irradia atração!
 
 
Do lado sul do meu lar
Posso sempre vigiá-la,
Rever assim seu luar,
Com desvelo acompanhá-la.
 

Porque és tão encantadora?!
Eu sinto tanta magia,
Que vou lesta, trovadora,
Admirar-te no outro dia!
 
Maria da Fonseca


domingo, 26 de outubro de 2014

Matizes Outonais

 
 
foto de Maria João Costa
 
 
O outono em seu 'splendor
No viço do meu jardim,
A chuva é uma constante
E prós melros um festim.
 
Podem crer os meus amigos,
Após a relva aparada,
Surgiram tufos de folhas
De haste curta, delicada.
      
As folhas têm ainda
Um formato especial,
Tal como verdes boninas
Ao estilo de área floral.
 
Donde vieram, não sei,
O vento, bem caprichoso,
Trouxe decerto as sementes
Que cobiçou, ansioso.
 
Este tão lindo tapete
De um verde deslumbrante
Faz parte dum basto prado,
Desta casa, circundante.
 
Também as arves me encantam
Nestes dias outonais.
O colorido das folhas,
Matizes especiais!
 
Maria da Fonseca


segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Rosas Efémeras

 

Que belas rosas trouxeste
Na quinta-feira passada,
Coloquei-as tal mas deste
Em jarra bem preparada.
 
Uma aberta, encantadora,
De pétalas cor de rosa,
Outra em botão, sedutora,
De postura graciosa.
 
Uma lindeza ficaram
No "sideboard" da sala,
Mas tão depressa murcharam,
A minha voz não se cala.
 
Tratei-as com todo o amor,
O que estava acontecendo?
Perderam o seu frescor
E foram esmaecendo.
 
Nem uma pétala só
Mudara de posição,
E eu senti tanto dó
A despertar emoção...
 
Como o botão não aberto
Que curvara magoado,
Ficou a bater incerto,
Meu coração contristado!
 
Maria da Fonseca

sábado, 11 de outubro de 2014

Os Pirilampos

 
 




As estrelas estão no céu,
Eu sinto-me arrefecer.
O clima é de primavera,
Vai longe o entardecer.

 
O meu marido adorado
Iluminou a janela.
Atravessei o jardim
Em harmonia singela.
 
 
Mas, sobre a relva escura
Noto algo diferente,
Belos salpicos de luz
Dum verde fosforescente.
 
 
-Só podem ser pirilampos!
E procuro, admirada,
Os insetos pequeninos
Desta noite encantada.

 
Porém só luzinhas verdes
Aparecem à distância,
Como pedacinhos de astros,
Dispersos com elegância.
 
 
Chego a casa satisfeita
Com a imagem que vi,
E agradeço ao meu Bom Deus
A magia que senti.
 
Maria da Fonseca






sexta-feira, 26 de setembro de 2014

A Nossa Senhora




Na capelinha das aparições
Ajoelhada, eu rezo à Senhora,
Com muita Fé, as minhas orações,
Pela humanidade sofredora.

 
Desde que nasci, eu fui protegida,
Em corpo e alma sempre abençoada.
Como teria sido a minha vida
Se à Senhora não fora confiada?

 
Ao tempo também houve fomes, guerras,
Crises, epidemias, acidentes...
Agora destroem lares e terras
Dos seus irmãos, em lutas permanentes.

 
Desdizem o seu próprio pensamento
A agredir 'inda mais nossa cultura.
E as gentes propagam seu lamento
Perante autores de incrível loucura.

 
Recolhida, peço a Nossa Senhora
Que proteja e guie as gerações,
Junto a Deus seja a conciliadora.
A Paz viva em todos os corações!
 
 
Maria da Fonseca


sexta-feira, 12 de setembro de 2014

No Jardim do Éden

 
 




Se a esplanada me encanta,
O jardim é admirável,
Exótica cada planta
No canteiro desejável.
 
 
Cobrir do Sol, quem se senta,
Dos guarda-sóis, a missão,
Bebida que dessedenta,
Pedir rápido ao garção.
 
 
De verga envernizada,
Eu escolhi a cadeira,
Donde desfruto, sentada,
Observar cada palmeira.
 
 
Os arbustos matizados
Do verde ao amarelo
Pelo jardim espalhados
Atendem ao meu anelo.
 
 
A escova-de-garrafa,
De origem australiana,
Premeia o que a fotografa
Co'uma linda flor ufana.
 
 
Este jardim de beleza
Ao do Éden eu comparo,
Quer por sua singeleza
Quer p'lo ambiente claro.
 
 
O livro já tinha eu lido
Há alguns anos passados,
E em harmonia vivido
Momentos sempre agradados



a) tarde de verão no Estoril Garden (2014)
 
Maria da Fonseca


segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Palavras

 




Quantas palavras bonitas
A nossa língua possui,
Quer faladas ou escritas,
Sempre o sentir as inclui.

 
O escritor as faz brilhar
Em narrações criativas,
O poeta as quer cantar
Em estrofes exclusivas.

 
Simples, ágeis, coloridas
Descrevendo a natureza.
Outras intensas, sentidas
Em memórias de grandeza.
 
 
Velas vogando no mar
No animado verão,
O passarinho a piar
Faz jus à inspiração.
 
 
E as palavras seguem breves,
Carinhosas, radiantes,
Algumas 'inda mais leves,
Delicadas e tocantes.
 
 
Assim flui a língua amada,
Orgulho de todos nós,
Famosa e bem tratada
Desde o tempo dos avós.
 
Maria da Fonseca