sábado, 21 de março de 2015

Gaivotas em Terra

 
 
 
 
 
Lindas gaivotas vogando
Argênteas, puras, folgadas,
Nas águas dum Tejo vivo,
De ninfas endiabradas.

Outras voam rente ao cais
Onde o cacilheiro acosta,
A baloiçar inquieto,
Vindo da margem oposta.

Neste dia encantador,
Primeiro da Primavera,
Ver as gaivotas em terra,
Decerto é o que não se espera!

Tereis assim a certeza
De haver, no mar, temporal.
Logo mais virão as vagas,
Ameaça ao litoral.

É o tempo que está a mudar,
Apesar do céu azul,
Do belo Sol aquecer,
Da costa virada ao Sul…
 
Maria da Fonseca


domingo, 8 de março de 2015

Dia Internacional da Mulher

 
 

  



Neste Dia da Mulher,
Ser ativa, esposa e mãe
Mais qualidades requer
P´la crise que se mantém.

Deus lhe deu grande coragem,
É o ser que dá à luz,
E quantas vezes a imagem
Prá família que conduz.

Não está fácil viver,
Nesta época presente
Cabe à mulher resolver
Dia a dia, olhando em frente.

Luta p'la sua missão,
Encara os seus problemas
Com vigor e decisão
E não cede a estratagemas.

Não quer perder a esperança,
Procura espalhar o bem,
Transmitir a confiança
Que o Senhor lhe deu também.

Agora tem mais direitos,
Mas sujeita a mais perigos,
Há que respeitar preceitos
E afastá-la de inimigos.
 
Maria da Fonseca

quarta-feira, 4 de março de 2015

Nortada Forte




Nortada, como hoje sopras
Com tanta intensidade!
O sábado caprichoso
Iludiu minha ansiedade!

Sob um céu azul celeste
As nuvens esfarrapadas
Alindavam claro dia
De agressivas rajadas.

O Sol brilhava a esmo
A salpicar a paisagem
Do inverno seco e frio
Com as arves sem folhagem.

Nesta época do ano
Já costumamos ter flores
Mas agora nem as vemos
Nem prevemos suas cores.

Os rebentos da magnólia
'Stão ainda por abrir
E as folhas dos meus antúrios
Amarelas de afligir.

Esperemos novo sábado
Mais agradável e ameno,
Que o vento rode enfim
E venha um dia sereno.

Passearemos no jardim
A espreitar nossas plantas,
Corações em harmonia,
Pois com palavras me encantas.
 
Maria da Fonseca

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Regresso de Miguel Torga

 
 
(1907 - 1995)
 
 
Regresso às fragas de onde me roubaram.
Ah! Minha serra, minha dura infância!
Como os rijos carvalhos me acenaram,
Mal eu surgi, cansado, na distância!
 

 
Cantava cada fonte à sua porta:
O poeta voltou!
Atrás ia ficando a terra morta
Dos versos que o desterro esfarelou.

 
 
Depois o céu abriu-se num sorriso,
E eu deitei-me no colo dos penedos
A contar aventuras e segredos
Aos deuses do meu velho paraíso.
 
 
Miguel Torga


terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Recebidas com Amor

 
 



Belas rosas of'receste
Neste dia tão amado,
Teus pais assim comoveste
Com buquê aprimorado.

Vermelhas e amarelas
Nimbadas p´lo Sol brilhante,
Pequeninas e singelas
Em harmonia elegante.

Nascida do grande amor,
Que nos uniu neste dia,
Deixaste em cada flor
Gratidão e alegria.
 
Memórias quase perdidas
Falam-nos ao coração,
Lindas horas bem vividas
Com momentos de emoção.

Continuamos felizes
Se assim quiser o Senhor.
As rosas e seus matizes
Recebidas com amor.
 
Maria da Fonseca

 
 

 


sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

O Inverno a Chegar

 
foto de Maria João Costa
 
 
O Sol brilha finalmente
Neste outono alterado.
E a nortada de repente
Sopra forte do seu lado.

 
As árvores sacudidas
Soltam as últimas folhas
Que caem, aves feridas,
Sobre as primeiras escolhas.

 
Piso um tapete espesso
De várias e incertas cores.
E enquanto ando, arrefeço.
É o vento e seus favores.

 
O casaco, eu aconchego,
Meu cabelo em desalinho,
No ar só desassossego,
Mas eu sigo o meu caminho.

 
O inverno a bater à porta.
As arves quase despidas,
O frio não se suporta,
Nem as chuvas repetidas.

 
Só me conforta a ideia
De que Jesus vai nascer.
Nossa casa vai estar cheia
E a Sua Luz, a aquecer!
 
Maria da Fonseca

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Fauna & Flora, da matéria das estrelas Livro de Ilona Bastos

 
 
 
"Fauna & Flora" reúne crónicas, contos, prosa poética e poesia inspirados na surpresa, emoção e deleite que nos suscitam os animais e as plantas presentes no nosso quotidiano predominantemente citadino: as sementes que subitamente germinam num canteiro, as flores que perfumam a avenida, as árvores dançantes ao vento, os jardins, os melros, o cão, o gato, a lagartixa, os besouros que entram, voando, pela cozinha adentro. Enfim, a Natureza que emoldura os nossos dias.
 
Poderíamos pensar que a vivência nesta selva de betão invadida pela tecnologia nos afastaria da Natureza. Mas isso não corresponde à realidade. Não só a Natureza encontra meios de se afirmar, como a sensibilidade humana procura, desvenda, acarinha todos os seus sinais de vida, e neles se aninha como sua parte integrante.
 
As nossas emoções, pensamentos e devaneios encontram raiz e expressão na Natureza, sempre presente.
 
 
Recomendo a leitura deste livro que me encantou.
Um abraço à querida autora que muito admiro.
 
 

Maria da Fonseca