quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Fascínio do Mar


 
foto de Maria João Costa
 
 


Saudar este mar azul!
Logo que o vejo me espanta
Com o brilho generoso
Do Sol de v'rão que acalanta.

Revejo-o em cada ano
Sempre com a mesma alegria,
Este mar que me fascina
E realça a fantasia.

Mas nunca igual a si próprio,
Sua água em movimento
Corre, ondula e avança
Rolando a todo o momento.

Molha a areia da praia
A impor sua vontade,
Os grãos pequeninos rodam
E deslizam na verdade.

Recua depois e arrasta,
Com esforço bem maior,
Conchas e pedras roladas
Na espuma ao derredor.

Enquanto vai e regressa
Este mar, que assim me encanta,
Banha a nossa costa sul
E traz-me saudade tanta!
 
Maria da Fonseca


quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Ameno Dia de Verão



O farto arbusto florido
Sobressai em tons de rosa
Junto às árvores cobertas
De ramagem generosa.
 

O ambiente é de luz
Ao meio dia solar,
Sopra uma aragem suave,
Põe as folhas a abanar.
 
  
Mais pequenas são as sombras
Bem na hora do calor,
Crescem ao correr do dia
Caminho do Sol se pôr.
 

A macieira deu fruto
Já há maçãs pelo chão,
Mas de certeza, vos digo,
Só aves as bicarão.
 

A tarde cai mansamente
Enquanto a luz dourada
Enche o jardim de magia
Com cada flor matizada.
 
 
E amanhã de manhã,
Quando à janela assomares,
Lindo buquê anilado
Lá 'stará pra te alegrares.
 
Maria da Fonseca

terça-feira, 14 de julho de 2015

Meu Pai

 
 
 
 
MEU PAI

 
Faz cento e dezasseis anos
Que o meu Pai foi nascido,
E, não havendo enganos,
Em data que nunca olvido.

Foi num catorze de Julho,
Que alegrou meus Avós,
Vindo ao mundo com o orgulho
De ser livre como nós.

Venho prestar-lhe homenagem
No dia do aniversário,
Ter sido homem de bem,
Pai extremoso e solidário.

Os conselhos que me dava,
Jamais os posso esquecer.
Era assim o que pensava
Pra me ajudar a viver.

Eu recordo comovida
Em qualquer lugar ou hora
Ensinamentos de vida
Ainda úteis agora.

E às minhas filhas e netos
Eu peço com muito amor,
Memorem nos seus afetos
O meu Pai, este senhor.
 
Maria da Fonseca


sexta-feira, 3 de julho de 2015

A Árvore Ferida





Noite fora acontecera
Sem termos dado por isso,
Não prevíamos, Deus meu,
Nem ouvimos reboliço.

Partiu-se co'a ventania
O ramo farto e pesado
Da árvore que encobria
O prédio do outro lado.

No tronco, o golpe sofreu
Que a mão do homem não fez,
A madeira apareceu
Ferida com rispidez.

A simetria desfeita
Da arve, que nos encanta,
Tornou-a assim imperfeita,
Mas 'inda tem graça tanta!

O ramo já o levaram,
Pedaços vários serrados,
Uma clareira deixaram
E alguns galhos espalhados.

'Stá agora a florescer,
Como se, não se perdera
Bela ramada a crescer,
Que de noite acontecera.

Tal como suas irmãs,
Copas coloridas, lindas,
Que olhas todas as manhãs,
Quer dar-te flores bem-vindas!
 
Maria da Fonseca

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Devoção a Nossa Senhora (13 de Maio de 2015)

 


Em nossa Cova da Iria
A Senhora apareceu.
A Mãe de Jesus, Maria,
Três pastorinhos benzeu.

 
Rápido eles contaram
Tê-La visto nesse dia.
A perfeição Lhe exaltaram
Com palavras de alegria.

 
A treze de Maio, assim,
Foi Fátima, a escolhida,
Pra receber em cetim,
A Virgem Maria querida.

No país irmão, Brasil,
Numa pesca enfraquecida
Surgira a imagem gentil
Da Virgem Aparecida.

 
Viram-Na três pescadores
Na rede, ao a elevarem
E rezarem por favores,
Para algum peixe apanharem.
 
 
O Paraíba desciam
E tendo a Senhora achado,
As redes quase cediam,
Tão grande fora o pescado.

 
Para ser entronizada,
Em Fátima, neste ano,
Sua Imagem Sagrada
Atravessou o oceano.

 
É uma das devoções
Que irmana os Santuários,
Parte das celebrações
Das Festas dos Centenários.

 
Faz três séculos que a Virgem
Os pescadores 'spantou,
E em Fátima também
Faz cem anos que chegou.
 
Os povos irmãos se encontram
Rogando a Nossa Senhora
Paz aos que se desencontram
E alivio à sofredora.

 
Grande a Fé na Mensageira,
A Nossa Mãe divinal,
Do Brasil, a Padroeira,
E Rainha em Portugal!
 
Maria da Fonseca


terça-feira, 12 de maio de 2015

O Sol da Primavera

 
 

 
 



A florir pra me agradar
'Stão na minha casa as plantas,
Rosas a desabrochar,
Beleza com que me encantas.

Vermelho antúrio chegou
Belo, vivaz e brilhante,
A primavera saudou
Sobressaindo elegante.

E pela primeira vez
Uma orquídea aqui nasceu,
Com suave timidez
Linda, abriu e aconteceu!

As violetas branquinhas,
Ansiosas de um afeto,
Erguem-se em cachos, juntinhas,
Visando o vaso completo.

O Sol procura beijá-las
Para as tornar mais formosas,
Nesta estação ajudá-las
A florirem zelosas.
 
Maria da Fonseca

sábado, 21 de março de 2015

Gaivotas em Terra

 
 
 
 
 
Lindas gaivotas vogando
Argênteas, puras, folgadas,
Nas águas dum Tejo vivo,
De ninfas endiabradas.

Outras voam rente ao cais
Onde o cacilheiro acosta,
A baloiçar inquieto,
Vindo da margem oposta.

Neste dia encantador,
Primeiro da Primavera,
Ver as gaivotas em terra,
Decerto é o que não se espera!

Tereis assim a certeza
De haver, no mar, temporal.
Logo mais virão as vagas,
Ameaça ao litoral.

É o tempo que está a mudar,
Apesar do céu azul,
Do belo Sol aquecer,
Da costa virada ao Sul…
 
Maria da Fonseca