sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Procissão das Velas (12.10.2015)



 



Chove na Cova da Iria
Na noite da Procissão,
AVÉ! AVÉ! AVÉ MARIA!
Saudam com devoção.

De chapéus-de-chuva abertos,
Vela acesa noutra mão,
Os peregrinos libertos
Entregam-se à oração.

A Virgem sobre o andor
De brancos cravos, radiosa,
É louvada com amor
Nesta noite piedosa.

Em Fátima todos rogam
Por saúde, paz, emprego,
E muitos são os que imploram
Por consolo e mais sossego.

Nossa Senhora proteja
Aqueles de que é Rainha,
E também ame e eleja
Quem vem de longe e caminha.

Pagam a sua promessa ,
Pela graça recebida
Ou penar que não regressa,
Oferta já prometida.

E continuam chovidas,
Terras da Cova da Iria,
Faces húmidas, sofridas,
AVÉ! AVÉ! AVÉ MARIA!
 
Maria da Fonseca


quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Chegada do Outono

 

 



O outono chega amanhã,
Estação dos meus encantos,
Nossas arves de manhã
Brilham ao Sol dos espantos.
  
O arbusto que cantei
Tem as folhas matizadas
E o aloendro que amei,
Ainda com flores rosadas.
 
As folhas de tons bem quentes,
Entre a ramagem viçosa,
São para mim os presentes
Por vos cantar, carinhosa.
 
Mas algumas já caíram
E rodam no chão ao vento,
Co'o calor do v´rão secaram,
Soltando-se sem lamento.
 
Todos os dias dif'rentes
As arves do meu jardim,
Como nós seres viventes,
Ledas por serem assim.
 
E a estação vai entrar,
Rogarei a nosso orago,
Quando chover e ventar
Não venha causar estrago!
 
Maria da Fonseca

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Fascínio do Mar


 
foto de Maria João Costa
 
 


Saudar este mar azul!
Logo que o vejo me espanta
Com o brilho generoso
Do Sol de v'rão que acalanta.

Revejo-o em cada ano
Sempre com a mesma alegria,
Este mar que me fascina
E realça a fantasia.

Mas nunca igual a si próprio,
Sua água em movimento
Corre, ondula e avança
Rolando a todo o momento.

Molha a areia da praia
A impor sua vontade,
Os grãos pequeninos rodam
E deslizam na verdade.

Recua depois e arrasta,
Com esforço bem maior,
Conchas e pedras roladas
Na espuma ao derredor.

Enquanto vai e regressa
Este mar, que assim me encanta,
Banha a nossa costa sul
E traz-me saudade tanta!
 
Maria da Fonseca


quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Ameno Dia de Verão



O farto arbusto florido
Sobressai em tons de rosa
Junto às árvores cobertas
De ramagem generosa.
 

O ambiente é de luz
Ao meio dia solar,
Sopra uma aragem suave,
Põe as folhas a abanar.
 
  
Mais pequenas são as sombras
Bem na hora do calor,
Crescem ao correr do dia
Caminho do Sol se pôr.
 

A macieira deu fruto
Já há maçãs pelo chão,
Mas de certeza, vos digo,
Só aves as bicarão.
 

A tarde cai mansamente
Enquanto a luz dourada
Enche o jardim de magia
Com cada flor matizada.
 
 
E amanhã de manhã,
Quando à janela assomares,
Lindo buquê anilado
Lá 'stará pra te alegrares.
 
Maria da Fonseca

terça-feira, 14 de julho de 2015

Meu Pai

 
 
 
 
MEU PAI

 
Faz cento e dezasseis anos
Que o meu Pai foi nascido,
E, não havendo enganos,
Em data que nunca olvido.

Foi num catorze de Julho,
Que alegrou meus Avós,
Vindo ao mundo com o orgulho
De ser livre como nós.

Venho prestar-lhe homenagem
No dia do aniversário,
Ter sido homem de bem,
Pai extremoso e solidário.

Os conselhos que me dava,
Jamais os posso esquecer.
Era assim o que pensava
Pra me ajudar a viver.

Eu recordo comovida
Em qualquer lugar ou hora
Ensinamentos de vida
Ainda úteis agora.

E às minhas filhas e netos
Eu peço com muito amor,
Memorem nos seus afetos
O meu Pai, este senhor.
 
Maria da Fonseca


sexta-feira, 3 de julho de 2015

A Árvore Ferida





Noite fora acontecera
Sem termos dado por isso,
Não prevíamos, Deus meu,
Nem ouvimos reboliço.

Partiu-se co'a ventania
O ramo farto e pesado
Da árvore que encobria
O prédio do outro lado.

No tronco, o golpe sofreu
Que a mão do homem não fez,
A madeira apareceu
Ferida com rispidez.

A simetria desfeita
Da arve, que nos encanta,
Tornou-a assim imperfeita,
Mas 'inda tem graça tanta!

O ramo já o levaram,
Pedaços vários serrados,
Uma clareira deixaram
E alguns galhos espalhados.

'Stá agora a florescer,
Como se, não se perdera
Bela ramada a crescer,
Que de noite acontecera.

Tal como suas irmãs,
Copas coloridas, lindas,
Que olhas todas as manhãs,
Quer dar-te flores bem-vindas!
 
Maria da Fonseca

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Devoção a Nossa Senhora (13 de Maio de 2015)

 


Em nossa Cova da Iria
A Senhora apareceu.
A Mãe de Jesus, Maria,
Três pastorinhos benzeu.

 
Rápido eles contaram
Tê-La visto nesse dia.
A perfeição Lhe exaltaram
Com palavras de alegria.

 
A treze de Maio, assim,
Foi Fátima, a escolhida,
Pra receber em cetim,
A Virgem Maria querida.

No país irmão, Brasil,
Numa pesca enfraquecida
Surgira a imagem gentil
Da Virgem Aparecida.

 
Viram-Na três pescadores
Na rede, ao a elevarem
E rezarem por favores,
Para algum peixe apanharem.
 
 
O Paraíba desciam
E tendo a Senhora achado,
As redes quase cediam,
Tão grande fora o pescado.

 
Para ser entronizada,
Em Fátima, neste ano,
Sua Imagem Sagrada
Atravessou o oceano.

 
É uma das devoções
Que irmana os Santuários,
Parte das celebrações
Das Festas dos Centenários.

 
Faz três séculos que a Virgem
Os pescadores 'spantou,
E em Fátima também
Faz cem anos que chegou.
 
Os povos irmãos se encontram
Rogando a Nossa Senhora
Paz aos que se desencontram
E alivio à sofredora.

 
Grande a Fé na Mensageira,
A Nossa Mãe divinal,
Do Brasil, a Padroeira,
E Rainha em Portugal!
 
Maria da Fonseca