terça-feira, 26 de abril de 2016
domingo, 15 de novembro de 2015
A Cumprir o Outono
Não vou 'squecer este outono
P´la sina ver alterada.
A Criação 'stá na mesma,
Morna, límpida e molhada.
Na marquise tenho as flores
'Inda a brilharem ao Sol,
Violetas perfumadas
E os antúrios arrebol.
Uma rosa pequenina,
Que encanta pela lindeza,
Olha pra mim altaneira,
De cima da minha mesa.
Lá fora 'stá uma arve
A enfeitar o jardim
Com folhagem amarela,
Todos os anos é assim.
As fruteiras rendilhadas,
De folhas secas vestidas,
Que logo se soltarão,
Pela viração, batidas.
E do outro lado, a tília
Que foi linda, harmoniosa,
Vai a perder a frescura,
Tendo florido odorosa.
Por perto 'stá S. Martinho,
Verão e castanha assada.
A beleza outonal
Breve será dissipada!
Maria da Fonseca
sexta-feira, 23 de outubro de 2015
Procissão das Velas (12.10.2015)
Chove na Cova da Iria
Na noite da Procissão,
AVÉ! AVÉ! AVÉ MARIA!
Saudam com devoção.
De chapéus-de-chuva abertos,
Vela acesa noutra mão,
Os peregrinos libertos
Entregam-se à oração.
A Virgem sobre o andor
De brancos cravos, radiosa,
É louvada com amor
Nesta noite piedosa.
Em Fátima todos rogam
Por saúde, paz, emprego,
E muitos são os que imploram
Por consolo e mais sossego.
Nossa Senhora proteja
Aqueles de que é Rainha,
E também ame e eleja
Quem vem de longe e caminha.
Pagam a sua promessa ,
Pela graça recebida
Ou penar que não regressa,
Oferta já prometida.
E continuam chovidas,
Terras da Cova da Iria,
Faces húmidas, sofridas,
AVÉ! AVÉ! AVÉ MARIA!
Maria da Fonseca
quarta-feira, 30 de setembro de 2015
Chegada do Outono
O outono chega amanhã,
Estação dos meus encantos,
Nossas arves de manhã
Brilham ao Sol dos espantos.
O arbusto que cantei
Tem as folhas matizadas
E o aloendro que amei,
Ainda com flores rosadas.
As folhas de tons bem quentes,
Entre a ramagem viçosa,
São para mim os presentes
Por vos cantar, carinhosa.
Mas algumas já caíram
E rodam no chão ao vento,
Co'o calor do v´rão secaram,
Soltando-se sem lamento.
Todos os dias dif'rentes
As arves do meu jardim,
Como nós seres viventes,
Ledas por serem assim.
E a estação vai entrar,
Rogarei a nosso orago,
Quando chover e ventar
Não venha causar estrago!
Maria da Fonseca
quarta-feira, 2 de setembro de 2015
Fascínio do Mar
foto de Maria João Costa
Saudar este mar azul!
Logo que o vejo me espanta
Com o brilho generoso
Do Sol de v'rão que acalanta.
Revejo-o em cada ano
Sempre com a mesma alegria,
Este mar que me fascina
E realça a fantasia.
Mas nunca igual a si próprio,
Sua água em movimento
Corre, ondula e avança
Rolando a todo o momento.
Molha a areia da praia
A impor sua vontade,
Os grãos pequeninos rodam
E deslizam na verdade.
Recua depois e arrasta,
Com esforço bem maior,
Conchas e pedras roladas
Na espuma ao derredor.
Enquanto vai e regressa
Este mar, que assim me encanta,
Banha a nossa costa sul
E traz-me saudade tanta!
Maria da Fonseca
quarta-feira, 5 de agosto de 2015
Ameno Dia de Verão
O
farto arbusto florido
Sobressai
em tons de rosa
Junto
às árvores cobertas
De
ramagem generosa.
O
ambiente é de luz
Ao
meio dia solar,
Sopra
uma aragem suave,
Põe
as folhas a abanar.
Mais
pequenas são as sombras
Bem
na hora do calor,
Crescem
ao correr do dia
Caminho
do Sol se pôr.
A
macieira deu fruto
Já
há maçãs pelo chão,
Mas
de certeza, vos digo,
Só
aves as bicarão.
A
tarde cai mansamente
Enquanto
a luz dourada
Enche
o jardim de magia
Com
cada flor matizada.
E
amanhã de manhã,
Quando
à janela assomares,
Lindo
buquê anilado
Lá
'stará pra te alegrares.
Maria da Fonseca
terça-feira, 14 de julho de 2015
Meu Pai
MEU PAI
Faz cento e dezasseis anos
Que o meu Pai foi nascido,
E, não havendo enganos,
Em data que nunca olvido.
Foi num catorze de Julho,
Que alegrou meus Avós,
Vindo ao mundo com o orgulho
De ser livre como nós.
Venho prestar-lhe homenagem
No dia do aniversário,
Ter sido homem de bem,
Pai extremoso e solidário.
Os conselhos que me dava,
Jamais os posso esquecer.
Era assim o que pensava
Pra me ajudar a viver.
Eu recordo comovida
Em qualquer lugar ou hora
Ensinamentos de vida
Ainda úteis agora.
E às minhas filhas e netos
Eu peço com muito amor,
Memorem nos seus afetos
O meu Pai, este senhor.
Maria da Fonseca
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