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terça-feira, 24 de maio de 2011

Primavera em Flor

fotografia de J. Bastos Baptista

 

Bom dia, plantas queridas!
Saúdo-vos de manhã
Ao começar minhas lidas.
Eu quero-vos como irmã!



Venho saber como estais
Se tendes sede ou não?
O lugar que ocupais
É do vosso agrado ou não?


Estamos na Primavera
Quando o calor já se impõe,
O Sol quente desespera
Bem do lado onde se põe.


As rosas precisam de água
E os cíclames também,
Violetas cor da mágoa,
Mais atrás, parecem bem.


E a mini laranjeira,
Que vive connosco assim,
É a mais bela fruteira
De laranjinha mirim.


Há folhas a fenecer
Enquanto outras reverdecem,
Citrinos a apetecer
E os antúrios embelecem.


E também murcham as flores
De pétalas mais sensíveis,
Padecem com os calores
Deste Maio, mais temíveis.


Que se sintam bem-amadas,
Plantas da minha afeição,
A viver nesta morada
Como no meu coração.

Maria da Fonseca



sábado, 16 de abril de 2011

A Velha Macieira



Ainda és linda, macieira,
Cheia de cachos floridos,
Mas lamento a clareira,
Teus ramos frágeis, partidos.


Ao passar da morna aragem
Caem pétalas de leve,
A enfeitar a paisagem
Como farrapos de neve.


Pousam no nosso caminho
Brancas, suaves e puras,
É um tapete de carinho
Para espantar as agruras.


São tuas flores fugazes
Como nuvem afastada.
Serão teus frutos capazes
de agradar à pequenada?


Vêm as maçãs mais tarde
Com o calor do Verão,
Quando a garganta nos arde
Seu sumo é consolação.


Minha velha macieira,
Sempre de pé e formosa,
És um exemplo, obreira,
De que a vida é preciosa!

Maria da Fonseca




domingo, 6 de março de 2011

Depois da Chuva




Depois desta chuva, amor,
Eu quero ver minhas flores,
E os pássaros meus vizinhos,
Se sentiram meus temores.



A magnólia 'stá florida
Cheia de gotas pousadas
Nas pétalas cor de rosa,
Com outras no chão 'spalhadas.



Deslumbra pois quem a vê
No recanto do jardim,
Preciosa, encantadora,
Gostamos de a ver assim.



Outras flores que eu julguei
Desfeitas p´lo vendaval
Erguem-se lindas, louvando
A chuva essencial.



E já o melro se afoita
Na relva verde, lavada,
A procurar o sustento
Picando a terra molhada.



E o Sol a romper as nuvens
A ajudar na Criação.
Vamos embora, amor,
Deus não os esqueceu, não!

Maria da Fonseca